quarta-feira, novembro 17, 2010

ESTUDOS SOBRE AS DOUTRINAS DA GRAÇA DE DEUS

O Chamado do Evangelho e o Chamado Eficaz


Base Bíblica e Explicação

    Quando Paulo considera a maneira pela qual Deus traz salvação até nossa vida, ele diz: “Aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Aqui Paulo indica a ordem exata na qual as bênçãos da salvação chegam até nós.


O Chamado Eficaz

    Quando Paulo diz “Aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou a esses também justificou” (Rm 8.30), indica que o chamado é um ato de Deus. De fato, é especificamente um ato de Deus Pai, porque ele é o único que predestina as pessoas “para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Quando Deus chama as pessoas dessa maneira poderosa, ele as chama “das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe 2.9); ele as chama “à comunhão de seu Filho” (I Co 1.9; cf. At 2.39) e “para o seu reino e glória” (I Ts 2.12; cf. I Pe 5.10, II Pe 1.3). As pessoas são chamadas por Deus “para ser de Jesus Cristo” (Rm 1.6). Elas são chamadas para “ser santos” (Rm 1.7; I Co 1.2) e chegam ao reino de paz (I Co 7.15; Cl 3.15), liberdade (Gl 5.13), esperança (Ef 1.18; 4.4), santificação (I Ts 4.7), tolerância paciente no sofrimento (I Pe 2.20,21; 3.9) e vida eterna (I Tm 6.12).

    Esse chamado não é meramente humano, é, antes, um tipo de “convocação” feita pelo Rei do universo e tem tanto poder que induz à resposta que exige do coração das pessoas. É um ato de Deus que garante uma resposta. Esse chamado tem o poder de nos tirar do reino das trevas e nos elevar para o Reino dos Céus, para termos plena comunhão com Deus: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (I Co 1.9).

    Essa poderosa ação de Deus é freqüentemente referida como chamado eficaz para distingui-la do convite geral do evangelho que é para todas as pessoas,das quais algumas o rejeitam. O chamado eficaz é um ato de Deus Pai, falando através da proclamação humana do evangelho, pelo qual ele convoca as pessoas para si mesmo de tal modo que elas respondem com fé salvífica. Como já vimos em estudo anterior, a nossa escolha em favor de Cristo é real e genuína, pois tem como origem próprio Deus que é fundamento de toda a verdade. Esta escolha é causada pela sua graça em ter-nos predestinados “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).

    Um exemplo do chamado do evangelho operando eficazmente é visto na primeira visita de Paulo a Filipos. Quando Lídia ouvia a mensagem do evangelho o “E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (Atos 16:14).

    Distinto do chamado eficaz, que é um ato inteiramente de Deus, podemos falar sobre o chamado do evangelho que vem através do discurso humano. Esse chamado do evangelho é oferecido a todas as pessoas, mesmo a quem não o aceita. Às vezes esse chamado do evangelho é referido como  chamado externo ou chamado geral. O chamado do evangelho é geral, externo e amiúde rejeitado, enquanto o chamado eficaz é particular, interno e sempre eficaz. Entretanto, isso não deve diminuir a importância do chamado do evangelho – expediente que Deus escolheu, através do qual o chamado eficaz virá. Sem o chamado do evangelho, ninguém poderia responder e ser salvo. “Como crerão naquele de quem nada ouviram?” (Rm 10.14).


Os Elementos do Chamado do Evangelho

    Na pregação do evangelho, três elementos importantes devem ser incluídos.

1. Explicação de fatos concernentes à salvação. É o entendimento de porque precisamos de Cristo e como ele satisfaz nossa necessidade de salvação. Essa explicação deve conter os seguintes aspectos.

1.    Todas as pessoas pecaram (Rm 3.23).
2.    A pena pelos nossos pecados é a morte (Rm 6.23)
3.    Jesus Cristo morreu para pagar a pena pelos nossos pecados (Rm 5.8)
Crer nesses fatos não é o suficiente, deve-se haver também um convite para uma resposta pessoal da parte do indivíduo, que se arrependerá de seus pecados e confiará pessoalmente em Cristo (no chamado eficaz).

2. Convite para aceitar Cristo pessoalmente com arrependimento e fé. Quando o Novo Testamento fala sobre pessoas recebendo salvação, fala em termos de uma resposta pessoal a um convite da parte do próprio Cristo. Esse convite é expresso com grande beleza pelas palavras de Jesus:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

    Esse convite é pessoal e genuíno e espera uma resposta pessoal de cada um que o recebe, com base no propósito salvífico de Deus de antes da fundação do mundo. Qualquer pessoa que ouve o chamado do evangelho e o atende ouviu, portanto, o chamado eficaz. Isso provoca em sua vida a salvação e desencadeia um processo que envolve fé e arrependimento, por meio do Espírito Santo de Deus. Assim, como aprendemos com Cristo em seu conhecido Sermão do Monte, verificamos que somos completamente incapazes e dependentes de Deus “humildes (pobres) de espírito”, choramos a perda de nossa inocência e reconhecemos nossas falhas diante do Senhor.
 
    O que se promete aos que vão a Cristo?

3. Uma promessa de perdão e vida eterna. A principal promessa na mensagem do evangelho é o perdão dos pecados e a vida eterna com Deus. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Pedro ao pregar o evangelho diz: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19; cf. 2.38). Jesus garante ao que o atende que este jamais se perderá novamente: “E o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).

terça-feira, novembro 09, 2010

ESTUDOS SOBRE AS DOUTRINAS DA GRAÇA DE DEUS

Regeneração

    Podemos definir regeneração da seguinte maneira: Regeneração é um ato secreto de Deus pelo qual ele nos concede nova vida espiritual. Isso é às vezes chamado “nascer de novo” (na linguagem de João 3.3-8).


A regeneração é uma obra exclusivamente de Deus
    Na obra da regeneração não desempenhamos papel algum. Ao contrário, é uma obra exclusivamente de Deus. Vemos isso, por exemplo, quando João fala a respeito daqueles a quem Cristo deu poder de se tornarem filhos de Deus – eles “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Aqui João especifica que os filhos de Deus são os que “nasceram [...] de Deus” e que nossa vontade humana (“a vontade do homem) não realiza esse tipo de nascimento.

    O fato de que somos passivos na regeneração fica evidente quando as Escrituras referem-se a ela como “nascer” ou “nascer de novo” (Tg 1.18; I Pe 1.3; Jo 3.3-8). Não escolhemos nos tornar fisicamente vivos e também não escolhemos nascer – é algo que nos aconteceu; semelhantemente, essas analogias nas Escrituras dão a entender que somos inteiramente passivos na regeneração. Esse ato soberano de Deus foi profetizado em Ez 36.26-27). Outros textos confirmam que a regeneração é um ato exclusivo de Deus: Jo 3.8; At 16.14; Ef 2.5; Cl 2.13; Tg 1.17-18; I Pe 1.3; 23,25, etc.

    As Escrituras indicam que a regeneração deve vir antes que possamos responder ao chamado eficaz com fé salvífica. Portanto podemos dizer que a regeneração vem antes do resultado do chamado eficaz (nossa fé). Duas passagens sugerem que Deus nos regenera ao mesmo tempo em que nos faz o chamado eficaz: Pedro diz: “Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. [...] Esta é a palavra que vos foi evangelizada” (I Pe 1.23,25). E também Tiago diz: “Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1.18). Portanto, Deus penetra no nosso coração para produzir uma reposta absolutamente certa de nossa parte – ainda que respondamos voluntariamente.


A natureza exata da regeneração é um mistério para nós

    O que ocorre na regeneração de forma exata é um mistério para nós. Sabemos que de algum modo nós que estivemos espiritualmente mortos (Ef 2.1), fomos vivificados por Deus e num sentido muito verdadeiro “nascemos de novo” (Jo 3.3; Ef 2.5; Cl 2.13). Mas não entendemos como isso ocorre ou o que exatamente Deus faz para nos dar essa nova vida espiritual. Jesus diz: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).

    As Escrituras vêem a regeneração como algo que nos afeta como pessoas integrais, não se trata ape-nas do nosso espírito estar morto antes – nós estávamos mortos para Deus em nossos delitos e pecados (Ef 2.1). E não é correto dizer que a única coisa que ocorre na regeneração é que nosso espírito é vivificado, por-que cada parte de nós é afetada pela regeneração (cf. II Co 5.17).


Nesse sentido de regeneração, ela vem antes da fé salvífica

    Usando os versículos citados acima, definimos a regeneração como o ato de Deus de despertar a vida espiritual dentro de nós, trazendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Sobre essa definição, é natural entender que a regeneração vem antes da fé salvífica. De fato, é essa obra de Deus que nos dá capacidade espiritual para responder a Deus com fé.

    Jesus afirma: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). Entramos no reino de Deus quando nos tornamos cristãos pela conversão. Mas Jesus diz que temos de nascer “do Espírito” antes que possamos fazer isso. Nossa incapacidade de ir a Cristo por nós mesmos, sem uma obra inicial de Deus dentro de nós, é também enfatizada quando Jesus diz: “Ninguém poderá vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44), e “Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedi-do” (Jo 6.65). Essa ato íntimo de regeneração é descrito com grande beleza quando Lucas diz a respeito de Lídia: “O Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14). O contraste disso está em I Co 2.4 e Rm 3.11.

A regeneração genuína deve produzir resultados na vida

Os regenerados:

1.    Crêem em Jesus (I Jo 5.1);
2.    Não vivem dominados pelo pecado (I Jo 3.9)
3.    Praticam a justiça (I Jo 2.29);
4.    Conhecem a Deus (I Jo 4.7);
5.    Obedecem a Deus sem dificuldades e vencem o mundo (I Jo 5.3,4);
6.    São protegidos por Deus e nada pode atingi-los sem sua permissão (I Jo 4.4; 5.18); e
7.    Dão bons frutos que permanecem (Gl 5.22,23 – Contrário a esses frutos legítimos estão os falos cris-tãos, cujos frutos não permanecem e cairão em desgraça, Mt 7.22,23).

sexta-feira, setembro 24, 2010

COMO É QUE PODE MEU DEUS?


Há muito tenho sofrido com as bobagens e invencionices de alguns líderes religiosos, de uma religião desconhecida ordinariamente chamada de cristã, que prega mensagens com base em textos bíblicos, mas, que não tem nenhuma relação com a intenção da mensagem que o autor pretendia transmitir, sendo com isso identificada como evangélica sem o ser em essência.

Como se o problema já não fosse grave o suficiente ao se observar as mais esdrúxulas mutilações, deturpações e heresias produzidas por tal religião, temos agora que lidar com seu profundo envolvimento com a política, tornando ainda mais clara sua intenção de crescimento, poder e prestígio a qualquer custo. Não que o autêntico cristão deva abandonar sua consciência política e não se envolver em ações nessa direção, mas, que o faça em conformidade com a fé que o conduz, sem interesses escusos, para o bem da coletividade (tanto para fiéis quanto para os que não o são).

É assustador o número de e-mails afirmando que fulano é satanista, que sicrano vai liberar o casamento homossexual, que beltrano vai liberar a maconha, etc. Toneladas de e-mails de “crentes” enchem minha caixa postal com o famoso “repasse se você não quer ir para o inferno” ou, “Deus vai cobrar isso de você!”. Ah, pára caramba! Não se vê ninguém procurando ler as propostas de governo dos candidatos, só há preocupações com “pão e leite” que se ganhava gratuitamente numa versão atualizada do Panis et circenses romano, ou em agir como vaca de presépio que acredita em tudo que se fala por que foi assinado pelo “pastor”.

Pode-se afirmar que mais da metade do que se informa nesses e-mails é mentira, é estratégia de campanha eleitoreira de pessoas que sabem que brasileiro é preguiçoso e prefere dar credibilidade a outros a procurar ler e conhecer a verdade. É muito importante, antes de se acreditar em qualquer coisa e repassar mensagens irresponsavelmente, que se verificar se a informação é verídica em vez de ajudar homens e mulheres mal-intencionados a proliferar mentiras deslavadas para uma grande massa de internautas. Outra coisa, temas polêmicos envolvem pessoas, que são mais importantes que as “coisas”, por isso esses temas devem ser discutidos antes de massacrarmos as pessoas. Jesus expulsaria os pecadores e os destruiria sem antes dar-lhes alguma palavra, apoio, consolo, ouvidos, em amor? (“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra” [Jo 8:7]). Pense.

“Quando os justos florescem, o povo se alegra, mas quando o ímpio governa, o povo geme” (Provérbios 29.2). Diante do texto acima fica a questão: O ímpio é aquele que não tem a mesma fé que eu, ou uma pessoa que pratica o mal? Será que pessoas que se dizem cristãs, mas estão envolvidos em escândalos (com dinheiro na meia, na cueca e sabe-se lá onde mais) de desvio de dinheiro público, merecem mais crédito que alguém que não professa fé nenhuma mas luta pelo bem da nação? Quando o “político crente” rouba o dinheiro público não há como melhorar a saúde (para salvar mais vidas e ajudar os que sofrem com dores), não há como aumentar a segurança (que ajuda na redução de criminalidade), nem como aprimorar a educação do brasileiro (que o ensinaria, entre tantas outras coisas muito importantes, a escolher candidatos melhores). Quando Isaías fala “Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão” (Isaías 10.1), ele está se dirigindo a sacerdotes e falsos profetas de detinham o poder político sobre o povo, pois, eram ouvidos e obedecidos como verdadeiros mensageiros de Deus. Pense.

Podemos sim escolher um governante cristão, desde que ele não seja só mais um religioso como eram os sacerdotes, profetas, escribas, fariseus, etc, do tempo de Isaías e de Jesus. Podemos escolher alguém que, além de afirmar ser cristão, atue como um verdadeiro discípulo de Jesus, afinal, seus atos devem falar mais alto que suas palavras. Agora, se os “cristãos” dão mal testemunho, são ladrões, irresponsáveis com seus semelhantes, arrogantes e maus, não são dignos do nome que afirmam seguir e nem de seu voto. Pense.

Jesus Cristo é a verdade, busque a verdade viva e lute por ela.

sexta-feira, setembro 03, 2010

GRANDE É O SENHOR!

I Cr 16. 25,26 – “Porque grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado, e mais tremendo é do que todos os deuses. Porque todos os deuses das nações são vaidades; porém o Senhor fez os céus” (cf. Sl 96.4,5).

    Lembro-me de ter ligo alguns artigos de cientistas que afirmam que a ciência e a fé podem coexistir sem conflitos, uma vez que são conceitualmente distintas, caminhando em direções diametralmente opostas. A ciência tem como objeto de estudo o mundo natural, o concreto. A fé não carece de provas ou não as busca para existir. É uma convicção em algo que não se viu, mas, ouviu-se e apreendeu-se de forma transcendente, que se confirma histórica e experiencialmente na vida dos que a vivem, orientada por preceitos compreendidos na Bíblia Sagrada (não vou considerar outras crenças aqui).
 
    Um exemplo clássico de conflito entre ciência e fé, encontra-se no relato bíblico da criação. O big-bang, representante incondicional da razão, arvora-se hoje como única realidade possível para tal evento. Interessante que, para a Bíblia, pouco se dá a respeito desta hipótese. Neste caso, os que andam pela fé não devem ver nisso motivo para confronto, pelo fato da Bíblia afirmar unicamente que Deus “fez” o universo sem tentar explicitar de forma alguma “como” isso ocorreu. Certamente e, com efeito, que a Bíblia não pode ser, portanto, um livro puramente histórico, ou científico, ou de propriedades comprobatórias para teses acadêmicas. Seu objetivo não é ser exato em seus números – algo que todos os céticos gostam muito de criticar, – nem muito menos comprovar a existência e os atributos de Deus.
 
    O Cristianismo vive “em Deus e para Deus”, por meio da fé na ressurreição de Jesus Cristo. A vivência desta fé e seus resultados são suficientes para que as dificuldades bíblicas (aquelas questões que não obtiveram uma resposta satisfatória em fontes históricas, etc) e a crítica dos ateus não sejam relevantes a ponto de silenciá-lo. Assim como, pelo fato de não ser objeto de nossa idolatria, quem vive pela fé não deve discutir coisas que a ciência conseguiu comprovar de fato (a não ser que seja um cristão cientista inconformado). A fé não precisa da ciência e vice-versa.
 
    Enfim, a ciência nutre (ou tenta nutrir) a necessidade de quem vive o ideal de Nietzsche e, a fé, segue seu caminho comprobatório na experiência pessoal de cada um dos que optam em crer que "existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia" (Shakespeare); daqueles que não se satisfazem com hipóteses, mas, que estão certos de que a explicação de um universo tão bem arquitetado, bem como tudo o que nele há, carece de um Excelso Autor. Por isso “grande é o Senhor (...) o Senhor fez os céus”.

O Sermão da montanha (*versão para educadores*)

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:

- "Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles..."

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar no caderno?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo: 

- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou: 

- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações da Provinha Brasil, da Prova Brasil e demais testes e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor efetivo...

Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria, mas, olhou de novo a multidão, eram como ovelhas sem pastor, seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou... Como nós sempre continuamos...

Autor não informado

quarta-feira, setembro 01, 2010

ESTUDOS SOBRE AS DOUTRINAS DA GRAÇA DE DEUS

A Graça Comum

“...mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17).

Depois da queda de Adão e Eva toda a humanidade encontrou-se sob o jugo do pecado, cujo salário é a morte (Rm 6.23). Diante desta situação a única coisa que merecemos de Deus e de sua justiça, sendo pecadores, é a morte. Entretanto, assim como Adão e Eva não morreram imediatamente, àqueles que não foram justificados pela fé por não crerem no sacrifício vicário de Cristo, recebem bênçãos da parte de Deus que não fazem parte da salvação, enquanto Deus retarda seu juízo quando executará sua sentença final. A isso denominamos Graça Comum – Graça comum é a graça de Deus pela qual ele dá às pessoas inumeráveis bênçãos que não fazem parte da salvação. Essa graça não leva a salvação, somente uma manifestação diferente da magnitude do amor de Deus para com sua criação. Ela, apesar do amor de Deus, não interfere na consecução de sua justiça como o faz a Graça Salvífica.

Exemplos de Graça Comum

1. No domínio físico. Os incrédulos continuam a viver neste mundo unicamente por causa da graça comum de Deus – toda vez que alguém respira, isso se dá pela graça, porque o salário do pecado é a morte, não vida.

- Os produtos da terra – Deus permite que os homens usufruam dos frutos da terra, dando testemunho de si mesmo e de sua misericórdia (At 14.14-17). A terra não produz somente cardos e abrolhos (Gn 3.18). Todos os seres viventes recebem da terra condições de se alimentarem (Sl 145.9,15-16), Deus cuida de toda a sua criação.

- O sol e a chuva – Nosso Pai não escolhe sobre quem ele derramará a chuva e sobre quem o sol brilhará, isso acontece a todos nós (Mt 5.44-45).

- A prosperidade – A prosperidade chegou ao lar de Potifar, por meio de José (Gn 39.5). Na parábola do rico e do mendigo, Abraão lembra ao rico de que este havia recebido seu consolo em sua vida terrena (Lc 16.25).

Há ainda vários exemplos da graça comum de Deus. Até na beleza do mundo natural, na beleza das flores, dos vales, florestas, rios, lagos, etc., que estão disponíveis a todos. Ninguém merece toda essa benevolência que dá testemunho da graça de Deus, mas, enquanto vivos, todos podem usufruir da graça comum do Pai.

2. No domínio intelectual. Deus permite que iluminação e entendimento cheguem a todas as pessoas do mundo. Toda ciência e tecnologia executada por não-cristãos é um dos resultados da graça comum, que lhes concede fazer descobertas e invenções inacreditáveis, desenvolver os recursos da terra em muitos bens materiais, produzir e distribuir tais recursos e ter habilidade em seu trabalho produtivo.

3. No domínio moral. Deus dá a todas as pessoas percepção do que é certo e do que é errado, isso significa que elas freqüentemente aprovarão os padrões morais que refletem muitos dos padrões morais das Escrituras. Mesmo àqueles que se entregaram ao pecado mais degradante, Paulo diz que eles conhecem “a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam” (Rm 1.32). Muitas pessoas fazem o bem, porém, não receberão recompensa de Deus. É isso que significam as palavras de Jesus: “Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem o mesmo” (Lc 6.33, cf. 2 Rs 12.2 e 2 Cr 24.2).

4. No domínio criativo. Deus tem permitido medidas significativas de talento nas áreas artísticas e musicais, bem como em outras esferas nas quais a criatividade e o talento podem ser expressos, tais como atividades atléticas, arte culinária, literatura e assim por diante.

5. No domínio social. A família permanece até hoje, mesmo depois da queda de Adão e Eva. Essa instituição é tanto para crentes como para incrédulos.

As organizações sociais são resultado da graça comum, operando para o benefício dos seres humanos. Entre elas estão: a família, o governo humano, instituições educacionais, instituições de saúde, instituições de segurança, instituições de caridade, etc.

6. No domínio religioso. Até mesmo no domínio da religião, a graça comum de Deus produz algumas bênçãos para pessoas incrédulas. Jesus nos ordena: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44). Quando visamos o bem dos incrédulos, isso está em harmonia com a prática do próprio Deus de conceder luz solar e chuva “sobre justos e injustos” (Mt 5.45) e também se harmoniza com a prática de Jesus durante seu ministério terrestre, quando ele curou todas as pessoas que eram levadas até ele (Lc 4.40).

Devemos nos lembrar sempre que a graça comum e a graça salvífica tem efeitos diferentes na vida do homem. A graça salvífica é para a redenção daqueles que são por ela alcançados, mas, a graça comum, é mais um ato da misericórdia divina sobre os ímpios que vivem juntos dos justos e são abençoados por sua presença.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Amor sem abracadabra

Por Pastor Pablo Massolar
Blog Confeitaria Cristã

(Texto baseado em I Coríntios 13)

Nem "bala bala macia", nem "siri anda lá na praia", muito menos "abracadabra"... se não tiver Amor serei semelhante ao som chato e solitário de um ferreiro moldando o aço ou o bronze.

E ainda que eu tivesse a capacidade extra-sensorial da cartomante ou do sábio, e conhecesse todas as formas de dobrar as forças da natureza, e ainda que tivesse todo o poder, de maneira tal que manipulasse poções, transportasse os montes e as pessoas apenas pela autoridade dos meus "atos proféticos" ou encantamentos, e não tivesse amor, nada seria. Ainda que eu pensasse ser alguma coisa... Nada seria...

E mesmo que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, vítimas de enchentes e terremotos, etíopes ou animais em extinção e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado vivo, mas fizesse todas estas coisas apenas para ser admirado ou até mesmo para tirar algum proveito, gerar mídia espontânea ou descontos no Imposto de Renda, nada disso me aproveitaria. Continuaria vazio...

O amor não é masoquista, mas é sofredor, é paradoxalmente bondoso quando recebe mal; o amor não é invejoso; o amor não dá as mãos com superficialidade, mas abraça calorosamente, se entrega e não fica de nariz em pé.

Não é a favor do escândalo, nem que sejam os escândalos vingados dos seus inimigos. O amor não se entrega somente por prazer, sem vínculo com a vida. É claro que o amor também está presente no ato sexual de quem e em quem há compromisso selado do tamanho da Vida, vivida em fidelidade. Mas ele, o amor, o verdadeiro amor, não pode ser simplesmente robotizado, embonecado, banalizado eroticamente. Não funciona assim.

Não busca os seus próprios interesses, não se encoleriza dramática e irreversivelmente, não levanta falso testemunho; não se entrega à injustiça, mas luta pela verdade;

Tudo sofre, calado às vezes, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Até o que nos parece mais insensato e digno de vingança é deixado pra lá e perdoado por amor.

O amor nunca falha; nunca mesmo... mesmo que lhe pareça o contrário. Mas havendo prognósticos, bênçãos ou maldições ao futuro, serão desfeitos; havendo línguas angelicais, histéricas e descomprometidas com a verdade, se calarão; havendo conhecimento, qualquer conhecimento, será esquecido;

Porque, em parte, conhecemos, e em parte nos tornamos "poderosos" e até "profetas";

Mas, quando vier Aquele que é perfeito, então o que o é pela metade será deixado de lado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino... queria ser bombeiro, astronauta, super-homem, mago, até mesmo bispo e apóstolo... Mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com estas brincadeiras de menino... e preferi ser apenas servo... do Amor.

Porque agora estamos diante de um enigma, ninguém realmente sabe como será o "futuro", alguns desconfiam e palpitam fervorosamente sobre o que seja, tentam acertar ou descobrir como será, mas ninguém realmente sabe com certeza. Então chegará o dia quanto todos nós, pequenos e grandes, O veremos face a face; agora vemos apenas as sombras, mas já está vindo o dia que O conheceremos como se conhece o bom amigo, o amigo a quem contamos as coisas mais íntimas, os segredos mais guardados e nos recebe alegremente em sua casa. O amigo que conhecemos apenas pelo "alô!" ao telefone ou no olhar que esconde nosso segredo confiado em segurança.

Neste momento ainda permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor amado de graça, sem fingimento e sem hipocrisia. O Amor que anda de mãos dadas com a bondade e a misericórdia todos os dias.

O Deus que é Amor te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

segunda-feira, agosto 09, 2010

A ANGÚSTIA E O CRISTÃO - Esboço de sermão

Apocalipse 12.1,2

1 Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, 2 que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz”.

A maioria dos escatologistas crêem que a mulher relatada no texto acima é Israel, personificada na pessoa de Maria, a virgem. Aquela que daria a luz ao filho de Deus, o Messias libertador de seu povo da opressão da maldição do pecado e da segunda morte.
A figura de uma mulher com dores de parto, representa a angústia vivida por Jesus até que seu propósito redentor chegasse ao fim. Desde seu nascimento, exercício de seu ministério e morte, Jesus fora cercado de uma grande e angustiante tensão que culminou no nascimento de filhos e filhas de Deus.
A angústia é um sentimento real e constante em nossas vidas, uma vez que temos que passar por uma jornada terrestre, enfrentando todas as situações que surgirem diante de nós, sem sabermos exatamente o que acontecerá dia após dia.
O fato de utilizarmos a figura de uma mulher com dores de parto, nos ajudará a compreender como devemos lidar com a angústia que nos aflige em nosso cotidiano, superando seus aspectos negativos transformando-os em esperança.
Vejamos, portanto, porque hoje temos plenas condições de vivermos livres deste sentimento, ou, pelo menos, atenua-lo de forma que não nos prejudique.

I . ANGÚSTIA COMO RESTRIÇÃO, APERTO E OPRESSÃO – Isaías 26.16-18
16 Senhor, no aperto, te visitaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta. 17 Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós por causa da tua face, ó SENHOR! 18 Bem concebemos nós e tivemos dores de parto, mas isso não foi senão vento; livramento não trouxemos à terra, nem caíram os moradores do mundo”.

a. Israel clamou angustiado quando oprimido
O povo de Deus só recorria à oração quando se via oprimido. Somente na angústia causada pelo aperto e opressão dos inimigos, é que Israel se dobrava diante do Senhor.

b. Se contorceram [esforçaram] em oração
Neste momento, cercados pelas restrições que a opressão dos inimigos lhes impunha, Israel se esforçava em realizar sacrifícios religiosos. Seus cultos eram cheios de jejum, oração e humilhação diante de Deus, eles se contorciam com sacrifícios na carne para que o Pai lhes desse ouvido. Sofriam como a parturiente antes do momento do nascimento do filho, com dores, contrações e gritos.

c. Seus esforços foram vazios
Porém, sua religiosidade não alcançou misericórdia. O fruto de toda sua fadiga foi uma angústia ainda pior. Não geraram nada senão vento, pois, buscaram a face de Deus somente porque estavam em aperto, vivendo uma vida desregrada e impiedosa.

d. Não havia mais esperança para esse povo
Vivendo sob a lei, o Dia do Senhor soava para Israel como um terrível dia de acerto de contas. Obviamente porque o povo escolhido de Deus via-se sempre envolvido em transgressões contra seu Senhor.


II . A ANGÚSTIA DO MINISTÉRIO DE CRISTO

II.I . ASPECTOS NEGATIVOS

a. Sendo Deus, humilhou-se ao tornar-se homem - Filipenses 2:7
“Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

b. Viveu a vida dos desfavorecidos
- Era filho de carpinteiro, uma profissão que não lhe traria riquezas.
- Isaías 53.2,3 “2 Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. 3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso”.

c. Orou e não foi atendido
- Num momento de grave angústia da alma, o Senhor Jesus pediu ao Pai que fosse poupado de tamanho sacrifício, mas, mesmo em sua oração, reconheceu a impossibilidade de tal fato submetendo-se à vontade de Deus.
- Lucas 22.42 – “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”.

d. Sofreu perseguições, foi preso, ofendido e ferido
- Jesus fora perseguido pelos fariseus, saduceus e escribas. Os doutores de seu povo.
- Foi preso e torturado pelos romanos. O povo lhe ofendia e maltratava, logo após foi crucificado e morto.

II.II . ASPECTOS POSIVITOS
“1 Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, 2 que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz”.


a. Jesus sabia que seu sofrimento não seria em vão
- Jesus estava dando sua vida para a salvação de todos os que, ouvindo a mensagem da cruz, cressem que ele ressuscitou dos mortos e fossem salvos.

b. Todas as dores seriam recompensadas
- Após a ressurreição de Cristo, todas as coisas foram sujeitadas a Ele.
- Romanos 11:36 “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém”!

c. Jesus gerou para Deus, filhos e filhas
- O sacrifício de Cristo reuniria novamente o povo que andava perdido a seu Deus.


III . A ANGÚSTIA NA VIDA DO FIEL

a. Promove o aperfeiçoamento – Tiago 1.2-4
“2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes”.

b. Será recompensada - Mateus 5:12

“Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”.

- Não com conquistas terrenas, mas, de fato, e com efeito, nas regiões celestiais de eternidade em eternidade, numa realidade totalmente diferente do materialismo que muitos consideram hoje como grande "vitória" ou "bênção".

terça-feira, agosto 03, 2010

Brasileiro Reclama De Quê?

São poucos os e-mails massivos que me chamam a atenção, entretanto, alguns merecem destaque e, por isso, porque serviu para minha própria reflexão, vou compartilhar o conteúdo de um dos que recebi recentemente. Obviamente existem exceções com relação às assertivas abaixo e esse post não tem o intuito tentar ofender ou prejudicar alguém, mas, como já disse, é bom refletir sobre o que está sendo afirmado. O autor não foi informado.

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Tá reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseana Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso? E você?


Brasileiro Reclama De Quê?

O Brasileiro é assim:

  1. Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
  2. Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
  3. Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
  4. Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
  5. Fala no celular enquanto dirige.
  6. Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
  7. Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.
  8. Viola a lei do silêncio.
  9. Dirige após consumir bebida alcoólica.
  10. Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
  11. Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
  12. Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
  13. Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.
  14. Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
  15. Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
  16. Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
  17. Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
  18. Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
  19. Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
  20. Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
  21. Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
  22. Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
  23. Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
  24. Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
  25. Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
  26. Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
  27. Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
  28. Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
  29. Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
  30. Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas...

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

quarta-feira, julho 28, 2010

Mito ou identidade cultural da preguiça

Fonte: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - Ciência e Cultura

Print ISSN 0009- 6725
Cienc. Cult. vol.57 no. 3 São Paulo July/Sept. 2005









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ANTROPOLOGIA

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A imagem de preguiçoso que o baiano tem, seja na literatura ou no imaginário popular, foi construída ao longo da história. Foi este o ponto de partida da pesquisa da antropóloga Elisete Zanlorenzi, em sua tese de doutorado defendida em 1998, na USP, sobre "O mito da preguiça baiana", que deve transformar- se em livro este ano. O interesse pelo tema começou quando Elisete morava em Salvador, entre 1980 e 1984, e acompanhou uma campanha difamatória comandada pela mídia local sobre o movimento do bairro Calabar, criado a partir de uma ocupação na década de 1940 em uma região nobre da capital baiana. "Os moradores batalharam e conseguiram água, esgoto e luz para Calabar. Mas a imprensa mantinha a imagem de que eram vagabundos, preguiçosos e criminosos", lembra Elisete, que focou seu trabalho na representação do trabalho e do tempo.


DISCURSO DA ELITE A preguiça baiana foi um perfil construído historicamente e reforçado pela mídia, que reproduz os interesses da elite. Desde o século XVI, a elite local depreciava os negros escravos, descritos como desorganizados e sujos, depois como analfabetos e sem conhecimento, e, finalmente, como preguiçosos. A famosa Ladeira da Preguiça, em Salvador, ganhou este nome por ter sido a via de acesso de mercadorias vindas do porto para a cidade, levadas em carretões puxados a boi e empurrados por escravos. Do alto de seus casarões, ao verem os escravos tomando fôlego para subir com sacos de 60 quilos nas costas, as elites gritavam: "sobe, preguiça! sobe, preguiça!".

Essa foi uma forma de interiorização da dominação, no período da escravidão. Depois, a depreciação assumiu a forma da exclusão. O mesmo aconteceu com negros, índios e imigrantes nordestinos, nas regiões Sul e Sudeste, quando, a partir da década de 1950, intensificou- se a imigração. A imagem de preguiçoso espalhou-se. Chamados genericamente de "baianos", os imigrantes eram, em sua maioria, mestiços, afro-descendentes, oriundos de fazendas afetadas pela seca e sem qualificação profissional. O nordestino foi responsabilizado por todo o caos urbano sem, ao mesmo tempo, ser lembrado em nenhum projeto de inclusão social.

"Depreciar era uma forma de justificar baixos salários e falta de investimento" , esclarece Elisete. O sociólogo Octavio Ianni (1925-2004), um dos examinadores da banca de doutorado da antropóloga, destacou que a tese mostrava a forma sutil de racismo a negros e nordestinos. "Quando se folcloriza, o discurso se desloca da realidade e ganha vida própria, criando uma força até maior em relação ao discurso inicial", explica Elisete, professora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas.

RITUAIS RELIGIOSOS No candomblé, ela identificou outra raiz dessa imagem, pois é "uma cultura onde o trabalho não se contrapõe ao tempo livre, nem é uma obrigação, como no capitalismo" , explica. No candomblé, o trabalho é só um dos aspectos da vida, além do lazer, da família e dos amigos. Na sociedade capitalista chama-se de preguiça o trabalho que não acumula capital. Por esse mesmo motivo, o índio, que produz para a subsistência, também carrega o mesmo estigma de preguiçoso, diz.

IMAGEM NA MÍDIA Elisete verificou que a preguiça foi associada ao migrante nordestino que, com a construção da rodovia Rio-Bahia, passou a integrar o cenário das grandes cidades do Sul-Sudeste do país. Três grandes jornais da época, ela constata, reproduziam o discurso social mais amplo, reforçando a imagem da preguiça associada a nordestinos. Outra constatação foi que a mídia passou a repercutir o discurso turístico, quando nos anos 1960 o próprio governo baiano passou a explorar a imagem da preguiça. Nessa época, a indústria do turismo investiu no slogan da Bahia paradisíaca, para onde deve ir quem não quer trabalhar, onde a festa nunca acaba e ninguém usa relógio.

"A preguiça é quase um arquétipo da civilização brasileira", define o professor Marcos Costa Lima, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em Sérgio Buarque de Holanda, essa característica vem de fontes ibéricas.

Na literatura, Mário de Andrade personificou tudo isso em Macunaíma. Chico Buarque enxergou os mesmos traços no malandro carioca, avesso ao trabalho. Lima lembra ainda de João Ubaldo Ribeiro, em Viva o povo brasileiro, que também fala do nosso perfil preguiçoso. Ariano Suassuna criou personagens avessos ao trabalho em O auto da compadecida. "Esse mito é muito forte, sob o qual vivemos à sombra. É o discurso do colonizador" , conclui o professor.

Adriana Menezes

quinta-feira, julho 08, 2010

Por que o justo sofre?

R. C. Sproul

Fonte: Site da Editora Fiel

No âmago da mensagem do livro de Jó, acha-se a sabedoria que responde à questão a respeito de como Deus se envolve no problema do sofrimento humano. Em cada geração, surgem protestos, dizendo: “Se Deus é bom, não deveria haver dor, sofrimento e morte neste mundo”.

Com este protesto contra as coisas ruins que acontecem a pessoas boas, tem havido tentativas de criar um meio de calcular o sofrimento, pelo qual se pressupõe que o limite da aflição de uma pessoa é diretamente proporcional ao grau de culpa que ela possui ou pecados que comete.

No livro de Jó, o personagem é descrito como um homem justo; de fato, o mais justo que havia em toda a terra. Mas Satanás afirma que esse homem é justo somente porque recebe bênçãos de Deus. Deus o cercou e o abençoou acima de todos os mortais; e, como resultado disso, Satanás acusa Jó de servir a Deus somente por causa da generosa compensação que recebe de seu Criador.

Da parte do Maligno, surge o desafio para que Deus remova a proteção e veja que Jó começará a amaldiçoá-Lo. À medida que a história se desenrola, os sofrimentos de Jó aumentam rapidamente, de mal a pior. Seus sofrimentos se tornam tão intensos, que ele se vê assentado em cinzas, amaldiçoando o dia de seu nascimento e clamando com dores incessantes. O seu sofrimento é tão profundo, que até sua esposa o aconselha a amaldiçoar a Deus, para que morresse e ficasse livre de sua agonia. Na continuação da história, desdobram-se os conselhos que os amigos de Jó lhe deram — Elifaz, Bildade e Zofar. O testemunho deles mostra quão vazia e superficial era a sua lealdade a Jó e quão presunçosos eles eram em presumir que o sofrimento indescritível de Jó tinha de fundamentar-se numa degeneração radical do seu caráter.

Eliú fez discursos que traziam consigo alguns elementos da sabedoria bíblica. Todavia, a sabedoria final encontrada neste livro não provém dos amigos de Jó, nem de Eliú, e sim do próprio Deus. Quando Jó exige uma resposta de Deus, Este lhe responde com esta repreensão: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber” (Jó 38.2, 3). O que resulta desta repreensão é o mais vigoroso questionamento já feito pelo Criador a um ser humano. A princípio, pode parecer que Deus estava pressionando Jó, visto que Ele diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (v. 4) Deus levanta uma pergunta após outra e, com suas perguntas, reitera a inferioridade e subordinação de Jó. Deus continua a fazer perguntas a respeito da habilidade de Jó em fazer coisas que lhe eram impossíveis, mas que Ele podia fazer. Por último, Jó confessa que isso era maravilhoso demais. Ele disse: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.5-6).

Neste drama, é digno observar que Deus não fala diretamente a Jó. Ele não diz: “Jó, a razão por que você está sofrendo é esta ou aquela”. Pelo contrário, no mistério deste profundo sofrimento, Deus responde a Jó revelando-se a Si mesmo. Esta é a sabedoria que responde à questão do sofrimento — a resposta não é por que tenho de sofrer deste modo particular, nesta época e circunstância específicas, e sim em que repousa a minha esperança em meio ao sofrimento. A resposta a essa questão provém claramente da sabedoria do livro de Jó: o temor do Senhor, o respeito e a reverência diante de Deus, é o princípio da sabedoria. Quando estamos desnorteados e confusos por coisas que não entendemos neste mundo, não devemos buscar respostas específicas para questões específicas, e sim buscar conhecer a Deus em sua santidade, em sua justiça e em sua misericórdia. Esta é a sabedoria de Deus que se acha no livro de Jó.

Por que o justo sofre?

R. C. Sproul

Fonte: Site da Editora Fiel

No âmago da mensagem do livro de Jó, acha-se a sabedoria que responde à questão a respeito de como Deus se envolve no problema do sofrimento humano. Em cada geração, surgem protestos, dizendo: “Se Deus é bom, não deveria haver dor, sofrimento e morte neste mundo”.

Com este protesto contra as coisas ruins que acontecem a pessoas boas, tem havido tentativas de criar um meio de calcular o sofrimento, pelo qual se pressupõe que o limite da aflição de uma pessoa é diretamente proporcional ao grau de culpa que ela possui ou pecados que comete.

No livro de Jó, o personagem é descrito como um homem justo; de fato, o mais justo que havia em toda a terra. Mas Satanás afirma que esse homem é justo somente porque recebe bênçãos de Deus. Deus o cercou e o abençoou acima de todos os mortais; e, como resultado disso, Satanás acusa Jó de servir a Deus somente por causa da generosa compensação que recebe de seu Criador.

Da parte do Maligno, surge o desafio para que Deus remova a proteção e veja que Jó começará a amaldiçoá-Lo. À medida que a história se desenrola, os sofrimentos de Jó aumentam rapidamente, de mal a pior. Seus sofrimentos se tornam tão intensos, que ele se vê assentado em cinzas, amaldiçoando o dia de seu nascimento e clamando com dores incessantes. O seu sofrimento é tão profundo, que até sua esposa o aconselha a amaldiçoar a Deus, para que morresse e ficasse livre de sua agonia. Na continuação da história, desdobram-se os conselhos que os amigos de Jó lhe deram — Elifaz, Bildade e Zofar. O testemunho deles mostra quão vazia e superficial era a sua lealdade a Jó e quão presunçosos eles eram em presumir que o sofrimento indescritível de Jó tinha de fundamentar-se numa degeneração radical do seu caráter.

Eliú fez discursos que traziam consigo alguns elementos da sabedoria bíblica. Todavia, a sabedoria final encontrada neste livro não provém dos amigos de Jó, nem de Eliú, e sim do próprio Deus. Quando Jó exige uma resposta de Deus, Este lhe responde com esta repreensão: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber” (Jó 38.2, 3). O que resulta desta repreensão é o mais vigoroso questionamento já feito pelo Criador a um ser humano. A princípio, pode parecer que Deus estava pressionando Jó, visto que Ele diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (v. 4) Deus levanta uma pergunta após outra e, com suas perguntas, reitera a inferioridade e subordinação de Jó. Deus continua a fazer perguntas a respeito da habilidade de Jó em fazer coisas que lhe eram impossíveis, mas que Ele podia fazer. Por último, Jó confessa que isso era maravilhoso demais. Ele disse: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.5-6).

Neste drama, é digno observar que Deus não fala diretamente a Jó. Ele não diz: “Jó, a razão por que você está sofrendo é esta ou aquela”. Pelo contrário, no mistério deste profundo sofrimento, Deus responde a Jó revelando-se a Si mesmo. Esta é a sabedoria que responde à questão do sofrimento — a resposta não é por que tenho de sofrer deste modo particular, nesta época e circunstância específicas, e sim em que repousa a minha esperança em meio ao sofrimento. A resposta a essa questão provém claramente da sabedoria do livro de Jó: o temor do Senhor, o respeito e a reverência diante de Deus, é o princípio da sabedoria. Quando estamos desnorteados e confusos por coisas que não entendemos neste mundo, não devemos buscar respostas específicas para questões específicas, e sim buscar conhecer a Deus em sua santidade, em sua justiça e em sua misericórdia. Esta é a sabedoria de Deus que se acha no livro de Jó.

quinta-feira, julho 01, 2010

Como restaurar o caído

Preletor: Reverendo Hernandes Dias Lopes

Pedro chegou a ponto de desistir de tudo. Desistiu de ser discípulo

O apóstolo Pedro é um símbolo do homem inconstante. Como o pêndulo de um relógio, ele oscilava entre as alturas da fé e as profundezas da covardia.Sempre explosivo, falava sem pensar e agia sem refletir. Era capaz das afirmações mais sublimes acerca de Jesus para depois capitular-se às fraquezas mais vergonhosas. Num momento expressava uma fé robusta e noutro, soçobrava diante da incredulidade. Pedro chegou a ponto de negar seu nome, suas convicções, sua fé e seu Senhor. Ele desceu os degraus da queda, ao julgar-se melhor do que seus condiscípulos, ao seguir a Jesus de longe, ao se inserir no meio daqueles que zombavam do Filho de Deus e ao negar repetidamente e até com impropérios que o conhecia.

Pedro chegou a ponto de desistir de tudo. Desistiu de ser discípulo. A única coisa que sabia fazer era chorar amargamente e alagar o seu leito com suas grossas lágrimas. Mesmo Pedro tendo desistido de si mesmo, Jesus não desistiu de Pedro. Jesus não abdicou do direito de ter Pedro ao seu lado. Por isso, mandou-lhe um recado pessoal (Mc 16.7). Jesus não desiste nunca dos seus. Ele é o pastor que procura a ovelha perdida. Ele vai ao encontro daqueles que caíram para restaurá-los. O que Jesus fez para restaurar Pedro?

Em primeiro lugar, Jesus toma a decisão de procurar Pedro. A ovelha perdida não volta para o aprisco sozinha. Aqueles que tropeçam e caem não se restauram sozinhos de suas quedas vergonhosas. Jesus nos ensina a ir ao encontro dos caídos. Precisamos tomar a iniciativa. Não é a ovelha ferida que procura o pastor, mas o pastor que vai em busca da ovelha perdida. Jesus não apenas nos ensinou essa verdade, ele também a praticou, dando-nos o exemplo.

Em segundo lugar, Jesus toma a decisão de não esmagar Pedro. Talvez o que Pedro mais esperasse fosse uma reprimenda severa de Jesus. Pedro havia prometido ir com Jesus até a morte, mesmo que os outros discípulos o abandonassem. Sua arrogância tornou-se notória. Pensando ser mais forte do que os outros, tornou-se mais fraco. Sua autoestima estava no pó. Ele se sentia o pior dos homens. Jesus, então vem a ele, não para esmagá-lo como uma cana quebrada. Ao contrário, prepara-lhe uma refeição, conversa com ele com discrição e faz-lhe perguntas endereçadas ao coração.

Em terceiro lugar, Jesus toma a decisão de despertar o amor de Pedro. Em vez de confrontar Pedro, fazendo-o lembrar de suas vergonhosas quedas, Jesus toca de forma sensível no âmago do problema, perguntando-lhe: “Tu me amas?”. Quando Pedro caiu, seu eu estava assentado no trono de sua vida. Para Pedro se levantar Jesus precisava estar no trono do seu coração. O amor é o maior dos mandamentos. O amor é o cumprimento da lei. O amor é a prova insofismável de que somos verdadeiros discípulos de Jesus. A condição única exigida a Pedro para voltar-se para Jesus e para reingressar no ministério era demonstrar seu amor a Jesus.

Em quarto lugar, Jesus toma a decisão de curar as memórias de Pedro. Jesus preparou a cena para conversar com Pedro. A queda do apóstolo havia sido ao redor de uma fogueira. Jesus, então, arma na praia a mesma cena. Pedro havia negado Jesus três vezes, em grau ascendente. Pedro negou, jurou e praguejou. Jesus, então, lhe fez três perguntas, também em grau ascendente. Jesus quer não apenas restaurar o coração de Pedro, mas também curar suas memórias amargas. O Senhor se interessa não apenas pelas nossas convicções, mas, também, pelos nossos sentimentos.

Em quinto lugar, Jesus toma a decisão de reingressar Pedro no ministério. Depois de restaurar Pedro, Jesus lhe deu uma ordem clara: Apascenta os meus cordeiros, pastoreia as minhas ovelhas. Jesus restaura não apenas a vida espiritual de Pedro, mas, também, o seu ministério como apóstolo e seu trabalho como pastor do rebanho. A atitude de Jesus em relação a Pedro lança luz sobre a atitude que a igreja deve ter em relação àqueles que caíram e precisam ser restaurados. Que Deus nos dê sabedoria e amor para agirmos de modo semelhante.

Data: 27/5/2010 08:49:00

quarta-feira, junho 09, 2010

JEREMIAS NÃO ERA CHORÃO

Tu me seduziste, Iahweh, e eu me deixei seduzir; tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste. Sirvo de escárnio todo o dia, todos zombam de mim. Porque sempre que falo devo gritar, devo proclamar: ‘Violência e opressão!’ Porque a palavra de Iahweh tornou-se para mim opróbrio e ludíbrio todo dia. Quando pensava: ‘Não me lembrarei deles, já não falarei em seu Nome”, então isto era em meu coração como fogo devorador, encerrado em meus ossos. Estou cansado de suportar, não agüento mais!” (Jr. 20.7-9).

No texto acima há uma imagem de sedução que revela o poder de Iahweh sobre o profeta, o qual parece aqui revoltar-se contra um Deus que ele tem como responsável por sua desgraça. A presença do Senhor para Jeremias foi-lhe doce e maravilhosa, mas sua missão tornara-se um pesadelo devido à rejeição sofrida por parte de seus ouvintes que desejavam sua total destruição (18.19-23). O profeta sente-se enganado e crê que Iahweh usou de muito rigor em sua persuasão, impedindo que ele pudesse rejeitar sua missão, mas, mesmo assim, ao final dessa perícope ainda lança um grito de esperança (11-13).

Jeremias sente o peso da palavra de Iahweh queimando em seu coração e encerrado em seus ossos, de maneira alguma este profeta poderia livrar-se dessa responsabilidade que o levaria a enfrentar toda a hostilidade de seus ouvintes. A palavra de Deus afligia o espírito de Jeremias de tal forma que ele não a podia conter, mesmo sofrendo as conseqüências de sua pregação Jeremias prosseguia com seu ministério. Ele era insubstituível e desde o ventre materno havia sido escolhido para tal encargo (1.5), não havia como retroceder diante do Senhor, isto não era uma opção para Jeremias. “Jeremias analisa a sua vocação, as conseqüências que esta lhe acarretou, e a sua atitude frente a ela. Começa com uma metáfora duríssima: compara-se a uma moça inocente e ingênua. Em vez de respeitar a ingenuidade dela, Deus aproveitou-se dela, ‘seduzindo-a’, ‘forçando-a’, ‘violando-a’. À semelhança da moça violada, Jeremias em seguida só depara com os risos e as zombarias dos outros (7b), carrega o peso da desonra (8b)” (SICRE, 1992, p.123).

Nos versos seguintes (20.14-48) Jeremias faz sua confissão mais dura acerca da coação de Deus sobre si, em seu ministério e todas as aflições que houvera sofrido: “Maldito o dia em que nasci!”. O profeta reflete sobre o absurdo do objetivo de Iahweh em tê-lo feito existir: “para ver trabalhos e penas e terminar os meus dias na vergonha?” Apesar disso Iahweh se mantém em silêncio sobre a situação de Jeremias, porém sua mensagem continua chegando ao seu escolhido e ele a continua revelando a seus antagonistas verdadeiros, independentemente de suas conseqüências. Ainda há esperança, uma confiança nas primeiras palavras de Iahweh: “Não temas diante deles, porque eu estou contigo para te salvar, oráculo de Iahweh” (Jr 1.8).

As oposições

A oposição dos homens sempre foi um dos eventos mais provocadores do sofrimento do profeta. A falta de cooperação e consideração com suas palavras mesmo que, na maioria das vezes confrontadoras, mas, que se ouvidas trariam restauração e refrigério, era um fator agravante na situação emocional de qualquer mensageiro divino.

Os opositores dos profetas não eram apenas pessoas que não lhes eram simpáticas, eram homens e mulheres que conspiravam contra eles, que os hostilizavam e expunham a situações vexatórias, perseguindo-os e maltratando-os. Esses desafetos não provinham somente do povo, mas eram constituídos de reis, sacerdotes, falsos profetas e outros grupos sociais.

Nos setores sociais mais elevados as relações eram as mais difíceis. Sempre houve tensões políticas entre os poderes religiosos e os políticos, os reis sempre contavam com o respaldo dos profetas, mas nem sempre isso era possível, o que causava grande animosidade entre o monarca e o mensageiro de Deus (I Sm 15; II Sm 12; e Is 7 p. ex.). Outra situação dificultosa encontrava-se quando os profetas denunciavam o desvio religioso dos sacerdotes, ao violarem o que era sagrado para benefício próprio ou de seu monarca (I Sm 3; Am 7.10-17; e Mq 3.11 p. ex.). Chefes políticos e militares também sofriam os ataques mordazes dos profetas. Quando os profetas atacavam a política do país, tanto interna como externa, carregavam a responsabilidade sobre os militares e os conselheiros da corte, situação nada fácil de suportar (Os 5.10; e Is 30.1-5 p. ex.).

Vemos as lutas mais aguerridas entre profetas e falsos profetas (no grupo dos falsos profetas estão os que defendem as divindades estrangeiras e os pretensiosos que se acham portadores da palavra de Iahweh). Neste campo não se trata somente de se defender sua teologia, o que também é extremamente importante, mas de lutar contra as medidas e atitudes propostas para o caminhar da sociedade e do país que são impostas pelos falsários (Mq 2-3). Nessa disputa, os níveis de reivindicação acerca da revelação divina real atingem graus altíssimos e confrontos diretos são necessários como no caso de Elias contra os profetas de Baal. Mesmo vencendo o confronto Elias achou-se desprovido de aliados.

Não é por acaso que os profetas sentem-se ameaçados. São sempre tachados em seu contexto, são chamados de loucos, traidores da pátria, outras vezes precisam fugir, são presos ou expulsos de onde estão profetizando, ou chegam ao extremo quando são martirizados. Mesmo assim suas mensagens são entregues e sua missão completada.

A solidão

Uma vez em oposição a tudo e a todos não se admira que os profetas, apesar do apoio de alguns, sintam-se solitários.

Nunca me assentei em grupo de gente alegre para me divertir. Por causa da tua mão, me assentei sozinho, pois tu me encheste de cólera” (Jr 15.17).

Essa solidão não estava apenas em não possuir um círculo amigável onde o profeta poderia sentar-se e desfrutar de bons momentos de sociabilidade. Em alguns momentos e possivelmente os mais terríveis, esses homens de Deus sentiam-se abandonados e até acusavam o próprio Iahweh de ter feito isso, iludindo-os. Como vimos no texto acima, para Jeremias sua inocência e lealdade ficaram sem resposta, pois os homens o perseguem e Iahweh o abandona. “É uma experiência trágica, que contrasta com os tempos iniciais, quando as palavras do Senhor ‘eram meu gozo e a alegria do meu coração’. Agora fica apenas uma chaga crônica, uma ferida incurável. A culpa pela sua situação, não a atribui só aos homens, mas também a Deus” (SICRE, 1992, p.122).

Honestidade

Como alguém coagido a uma missão tão terrível, – de ser um antagonista de seu próprio povo, sofrendo na pele o desprezo de seus compatriotas e até da própria família; que via outros tramarem sua morte (Jr 18.23) e, que, além disso, também passaria por tudo o que predizia, – deveria reagir?

Não vejo Jeremias como um “profeta chorão”, mas como um homem extremamente honesto e que não teme demonstrar diante de Iahweh, toda sua indignação com a situação que enfrenta. É como se ele dissesse: “se tens algum problema com seu povo, resolva-o o Senhor mesmo”! Como nossa tradição religiosa impede que falemos tal coisa de Deus, acusá-lo de injustiça como se pode pensar neste caso, preferimos lançar sobre a face do pobre Jeremias nossas injúrias sobre tal reação. Agora também não vou discutir justiça-injustiça divinas, vou simplesmente afirmar que Deus agiu soberanamente. Alguém deveria ser seu mensageiro, Jeremias foi o escolhido.

Não estamos com isso afrontando Deus, assim como Jeremias não o fez, mas trazendo a lume a nossa limitação de não sermos perfeitos e em tudo capazes de sempre lograrmos bom êxito. Nós sofremos, choramos e, porque não, reclamamos também. Principalmente quando enfrentamos grandes dificuldades. Se fossemos tão transparentes quanto Jeremias, seríamos mais solidários com ele e com nosso próximo, pois, sabemos que sempre há alguém em uma situação pior que a nossa...

quarta-feira, junho 02, 2010

95 Teses de Lutero

Todo mundo já ouviu falar, mas, nem todos já leram as 95 teses de Lutero. Portanto, aproveito o espaço para publicá-las e lhe promover a oportunidade de conhece-las.
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Fonte: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências pelo Doutor Martinho Lutero - 31 de outubro de 1517.

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do Reverendo Padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito.

Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fôsse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental, isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes.

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.

6. O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitála, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.

17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.

18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.

20. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.

36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55. A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa por si só é suficiente.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63. Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade na cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.

71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,

74. Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78. Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1 Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.

82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão insignificante?

83. Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84. Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta, por amor gratuito?

85. Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de fato e por desuso já há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?

88. Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno;

95. E, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.

segunda-feira, maio 24, 2010

Ilustração - Estou quase pronto

Autor não informado

Um ferreiro depois de uma juventude cheia de excessos,decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos,trabalhou com afinco, praticou a caridade,mas apesar de toda sua dedicação nada parecia dar certo em sua vida; seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.

Uma bela tarde,um amigo que o visitava e que quase se compadecia de sua situação difícil comentou: "É realmente estranho que, justamente depois de você se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de sua crença espiritual, nada tem melhorado.

O ferreiro não respondeu imediatamente : ele havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a Eu-falar e encontrou a explicação que procurava. E disse ao amigo: recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade eu pego o martelo mais pesado e aplico vários golpes até que adquira a forma desejada. Logo,ela é mergulhada num balde de água fria, e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente. O ferreiro deu uma longa pausa, e continuou: vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas, e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. Eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina da espada. Então simplesmente coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria.

O ferreiro concluiu: Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas da vida, as vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é que Deus não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim.

Solidão?

“Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ações de graças e som de música” (Is 51.3).

Há momentos em nossas vidas em que seria tão bom podermos dividir o peso das dores que sentimos, ou ao menos ter alguém que possa nos ouvir e trazer-nos uma palavra de conforto, mas, não é sempre que podemos contar com essas pessoas. Ocorrem situações em que nos encontramos totalmente sós.

Já passei por situações em que Deus não permitiu nem ao pastor enxergar minha necessidade, mesmo que eu lhe falasse quais meus problemas ouvi um: "O Senhor vai te abençoar" e nada de socorro. Não era sua culpa, assim como Israel foi levado ao deserto para poder experimentar a provisão de Deus, fui levado também para saber de onde viria meu socorro. Quando se está no deserto tudo que se vê ao redor é aridez, nesse instante você deve compreender que chegou a hora de olhar somente para cima.

Você pode não ver o Senhor, pode não ouvir sua voz quando está orando, muitas vezes Ele mantém o silêncio para fazê-lo lembrar que, muito mais que falar conosco, ele está agindo na história para fazer com que seu propósito se cumpra em nossas vidas. Em meio a sua jornada nesse vale de lágrimas, saiba que jamais andarás a sós. Nem mesmo o deserto poderá lhe vencer, pois, mesmo com sua aridez, águas vivas fluem da vida dos que conhecem e vivem para Jesus. Basta confiar para, no final dessa jornada, ver a glória de Deus.

segunda-feira, maio 17, 2010

Devocional - A Oração de Jabez

“Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que tinha pedido ” (Sl 40.1).

Jabez era da tribo de Judá, da linhagem de Jesus. Sua petição é uma tipificação do que ocorrerá aos que crerem em Cristo, fronteiras alargadas, bênção eterna e também alegria constantes. Essa tipificação é parte da cosmovisão do Isarael primitivo, que sofreu evoluções e isso se observa nas Escrituras, a respeito da vida de quem serve e confia em Deus. Não necessariamente ocorreu que Jabez jamais precisasse trabalhar para seu sustento, ou que não pudesse ter dificuldades familiares, ou que depois disso jamais passasse por alguma privação qualquer. A resposta à oração de Jabez era a presença divina constante em sua vida, por meio de sua fé, que lhe dava condições de superar tudo sob a graça do Pai. Sua fé lhe era suficiente para lidar com seus problemas e isso, sob o amor e orientação de Deus, era por demais maravilhoso. Isso não quer dizer, porém, que Jabez ficou milionário da noite para o dia, que seus vizinhos lhe deram suas terra e que ele viveu de pernas para cima. Isso não é vida para um servo de Deus, pois se Deus trabalha até a noite e Jesus também, então, também temos que lutar todos os dias pelo pão.

O próprio Cristo disse: "No mundo passareis por aflições..." (Jo 16.33), informando-nos que não estaremos isentos de dificuldades, ao contrário, devemos glorificar e das graças a Deus por provações que passamos (Tg 1.2-4; cf. Hb 12.9-12). O justo viverá segundo a fé das Escrituras e não segundo suas vontades, pois, conhecemos que a vontade do Senhor que é: "perfeita, boa e agradável" (Rm 1.16,17; 12.2; Hb 10.37-39).

Não andemos ansiosos pelo dia de amanhã, para satisfazer nossos desejos de consumo e termos uma vida material próspera. O Senhor é quem nos sustenta e, em sua fidelidade, não nos desamparará. Se formos provados que o sejamos para a glória de Deus, se obtivermos paz e refrigério que o nome do Senhor seja louvado.

Enfim, na tristeza ou na felicidade, na saúde ou na doença, na angùstia ou na paz, que a noiva de Cristo glorifique seu nome!