terça-feira, fevereiro 02, 2010

Jesus Cristo - Por que preciso dele?

Sempre que nós, cristãos protestantes, temos oportunidade de conversar com alguém que não compartilha de nossa fé, tentamos falar a respeito da pessoa de Jesus Cristo. Sempre falamos da necessidade humana de conhecê-lo, de compreender sua obra redentora na história, de reconhecê-lo como Senhor e único Salvador pessoal de sua vida, entre outras coisas tão especiais. Mas, o que significa tudo isso? Porque as pessoas precisam saber de fatos acerca de Jesus, confessá-los como verdadeiros e praticar seus ensinamentos? Porque seus fiéis insistem tanto para que os não-cristãos, ou cristãos de outras ramificações1, busquem pleno conhecimento e participação desta experiência que consideramos tão especial?

Para responder a estas e tantas outras indagações naturais ao ser humano, devemos voltar muito na história para esclarecermos pontos-chaves que fundamentam a vivência e a pregação do precioso nome de Jesus Cristo pelos cristãos protestantes hoje. Com efeito, Jesus Cristo é nossa contracultura, nosso manifesto divino contra a impiedade humana.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).

Talvez você não esperasse que eu voltasse tanto assim, mas, para fazermos uma consideração mais completa a respeito de Jesus, devemos entender a história conduzida por Deus desde o princípio. Por isso, não seja preguiçoso! Leia tudo se quiser discutir o assunto depois.

O texto citado acima é somente uma informação que você deve guardar em seu coração e perguntar-se: “será que o mundo evoluiu ou esta ‘máquina’ tão perfeita e harmoniosa originou-se de uma inteligência extremamente superior?” De imediato, declaro que segundo a fé cristã, o universo foi criado por Deus. A Bíblia não se preocupou em descrever como Deus criou este universo, para ela basta afirmar quem o criou, assim como nas Escrituras não constam textos que afirmem a existência deste Ser. A certeza da existência deste Deus é tão clara e óbvia nas coisas criadas, na natureza, na perfeição do organismo humano e demais seres viventes, que alguém que duvide de sua existência é indesculpável.

É importante abrir aqui um parêntese, para que você saiba que, antes de mais nada, Deus é um ser eterno, portanto, não preso às marcas do tempo que o homem criou. Ele sabia e sabe (onisciência) de tudo que aconteceria e que ainda acontecerá em seu universo. Deus não criou algo que estivesse fora de sua esfera de poder.

Partindo deste princípio, que para nós é inegociável, pulemos então da declaração bíblica que todas as coisas criadas têm sua origem em Deus, para o momento mais especial deste evento: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.26,27). “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado” (Gn 2.7,8).

Se você ler todo o primeiro capítulo de Gênesis, verá que Deus declara que tudo o que Ele fez era “muito bom”. Para coroar sua criação fez então o homem. Metaforicamente, o relato bíblico o descreve como alguém feito do pó da terra. Neste momento recorre-se à língua em que a Bíblia foi originalmente escrita, o hebraico (Antigo Testamento – o Novo Testamento foi escrito em grego). Há no verso 7, do capítulo 2, um jogo de palavras interessante: adam (homem) e adamah (terra), que demonstram a conexão humana com o que é terreno. Bem diferente do segundo Adão que, segundo o apóstolo Paulo trata-se de Jesus Cristo (I Co 15.42-49), pois, este segundo Adão não tinha uma conexão direta com o que é terreno e sim com o que é celestial, divino.

E o que isto tem a ver com o assunto de agora, do Adão que foi criado no Éden? Tudo! Deus criou um ser perfeito, num lugar perfeito e, note bem, com muito trabalho a fazer e não somente um ambiente onde Adão vivesse “curtindo a vida adoidado” ao lado de Eva, mas, com um propósito que foi imaginado desde “antes da fundação do mundo” (I Pe 1.20). Que propósito era este? Leiamos: “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.7).

Deste pequeno verso, quero destacar somente o trecho em itálico. Fomos criados para a glória de Deus, sim, porque de seu desejo soberano o Senhor resolveu criar-nos. Somos como barro nas mãos do oleiro: “Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? (Rm 9:21)”. Muitos nos perguntam por que, sendo Deus, ele exige que o adoremos? – “Isso não parece muito nobre, principalmente para alguém tão perfeito e superior”. Realmente, mas, como diz o texto acima, se somos obra de suas mãos, como vasos de barro, como poderemos dizer-lhe o que fazer ou não? Você não faz o que quer, sem dar satisfação a ninguém, com coisas que são de sua propriedade? Isto soa a arbritrariedade e vaidade, porém, é muito lógico que o Senhor possa exigir de suas criaturas o que bem lhe entender. “Glorificar a Deus” na Bíblia é algo bem diferente do que pensamos. Voltando para Adão, vimos que os propósitos do Pai eram muito simples: (1) sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra; (2) submetam todos os animais ao vosso domínio, não para destruição mas para vosso benefício (foram criados para vocês e por vocês, também para darem testemunho da bondade de Deus); (3) trabalhem a terra, ela lhes pertence; etc. As pessoas tem um pensamento errado a respeito da vontade e propósitos de Deus, Ele, por meio de Jeremias, deixa isto mais claro: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29:11).

Antes de continuar, deixe-me contar-lhe um fato ilustrativo. A filha de um grande pregador americano, estava sendo entrevistada num famoso programa televisivo: – Se Deus realmente existe e nos ama tanto como seu pai tem pregado e ensinado, porque há tanta miséria, dor e tristeza no mundo? Porque acontecem tantas guerras e os homens são tão maus? – Perguntou o entrevistador. – Bom, – em resposta a tal indagação, a jovem respondeu, – na maioria das vezes que tentamos pregar o evangelho a alguém, as pessoas dizem que não tem tempo, que não querem ouvir, etc. Se o homem deseja tanto manter Deus afastado de suas vidas, porque reclama das conseqüências disto?

O que esta jovem disse com tanta propriedade, é que, se sofremos, isso acontece por conseqüência de nossos próprios atos. Deus nos dá uma diretriz de vida, assim como deu a Adão, e muitos a rejeitam. Se vivemos para nós mesmos, independentemente de desejarmos ou não saber da realidade da criação e propósitos divinos, então, colheremos tudo o que plantarmos, isto é fato! Se ignorarmos Deus num contexto onde tudo é oriundo de sua graça, ou juízo, viveremos sob as custas do caminho em que andarmos.

No Antigo Testamento vimos um Deus que a todo instante instrui um povo a segui-lo e também como deveria fazê-lo. Vimos que todas as instruções dadas àquele povo são garantia de um bom relacionamento com Deus e com seu próximo. Há ética explicita nestas relações! Reconheça a divindade, soberania e autoridade de seu criador e viverá bem até com teu próximo.

Mas, desde Adão, o homem mostrou-se desobediente. Voltemos a este personagem: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17).

Era algo tão difícil? Não, o problema não era o comer da árvore, era a motivação que o faria desobedecer esta ordem: “Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.4,5).

Diga-me, quando foi que o homem reconheceu e aceitou suas limitações? Nunca! Sempre desejamos superar tudo e todos, sempre veremos o homem lutar contra a morte, porém, nunca o veremos vencer. Sempre veremos o homem tentar desvendar os mistérios do universo, porém, só os conheceremos quando Deus os revelar: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29).

O pecado de Adão e Eva, portanto, foi crer que comendo do fruto se tornariam iguais a Deus, ilimitados, perfeitos e absolutamente independentes. Mas, como seres criados tornam-se independentes de seu criador? Não creio que isto seja possível.

O erro de Adão trouxe a todos os homens o conhecimento2, ou seja, o ensinamento bíblico diz que o homem peca porque tem essa natureza. O ensino por meio da árvore é metafórico, porém, a conseqüência da desobediência humana a seu Deus não o é. Sob esta condição o apóstolo Paulo declara: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). O pecado é tudo aquilo que vai de encontro aos ensinamentos de Deus, traduzido da língua original, a palavra significa “errar o alvo”, “ir pelo caminho errado”, “seguir contrário à própria natureza”. E a conseqüência de todos os que seguem o caminho errado é a morte eterna.

“Porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

Muitos lêem o Antigo Testamento e pensam que a Lei de Moisés é algo impossível de se seguir, que jamais serão cristãos por isso. Dizem ainda, por falta de conhecimento, que o Antigo Testamento não nos serve como revelação divina, pois, trata somente do relacionamento de Deus com um povo específico: Israel. Um grande erro. O Antigo Testamento é o relato histórico-experiencial de todos os cristãos do mundo, representado na marcha de um só povo que, posteriormente, deixa de tratar de uma só tribo para acolher todas as pessoas que assim crêem, num âmbito espiritual esclarecido no Novo Testamento.

O objetivo da Lei de Moisés era o de mostrar a toda humanidade, que o indivíduo sem Deus é insuficiente, em si mesmo, para dar conta de sua própria vida, de sua salvação da morte que foi fruto da desobediência, e assim permanece aos desobedientes, como castigo aos que insistem em não reconhecer Deus devidamente. “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.19,20).

Bem, o salário do pecado é a morte. O pecado é todo erro cometido contra os desígnios de Deus, geralmente são encontrados na satisfação de nossos desejos carnais. Que desejos são estes? Todos sabemos: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.17-2).

Foi o pecado que lançou Adão e Eva para fora do Éden, é o pecado que nos separa de Deus (Is 59.2), contudo, o desejo do Criador não está em ficarmos distantes dEle, buscando satisfação em prazeres efêmeros. Tentando tapar o vazio que existe em nós com coisas que duram somente algumas horas ou, no máximo, alguns dias. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.16,17).

No Antigo Testamento, sempre que alguém cometia pecado contra Deus deveria oferecer-lhe um sacrifício. Normalmente este sacrifício era o derramamento de sangue de algum animal. Parece-nos muito cruel, mas, o objetivo da morte do animal era que, ao vê-lo sendo degolado e agonizando, o homem visse quão triste era a conseqüência de seus erros contra Deus, seu criador e juiz de toda a terra. Além disso, o sangue derramado encobria a transgressão e tornava o pecador inocente de seu erro.

Tudo isso era simbólico, uma vez que vimos que jamais alguém seria justificado por atos, por obras da lei (Rm 3.19,20). Então, como o homem alcançaria novamente o direito a estar junto a Deus, como Adão e Eva viviam no princípio, sem serem condenados pelo pecado e morrendo a segunda morte3? Unicamente pelo ato forense de justificação realizado por Jesus Cristo. Ao sermos condenados diante de um juiz, não podemos ser absolvidos senão após um ato de justificação que, como pena por nossos erros, satisfaça a justiça devida. A Bíblia nos ensina que Jesus Cristo realizou este ato por nós. Como cordeiro que vai ao altar do holocausto (sacrifício pelo pecado), Jesus entregou-se à morte, e morte de cruz, para que, com seu sangue, nos trouxesse a justificação de nossos pecados diante de Deus, nos reunindo a Ele novamente.

Esta justificação que nos salva da segunda morte e tratada nas Escrituras como “graça”, algo que recebemos sem merecimento algum, é um dom imerecido. Este dom só é concedido por um único canal, a fé: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Como o próprio texto afirma, e o texto de João 3.16,17 também, a salvação da alma do homem, sua reconciliação com Deus é uma iniciativa e também prerrogativa divina. O homem, perdido em seus deleites carnais, de forma alguma busca retornar a Deus. Pode até buscar explicações sobre os mistérios da vida em religiões diversas, com suas fantasias mais loucas, porém, jamais vai ao encontro de Deus por iniciativa própria. Tanto que a salvação concedida é, pela graça, um dom de Deus e não objeto do mérito humano. Então, assim como Deus ia ao encontro do homem no Éden, o Senhor vem ao nosso encontro por meio de sua perfeita e completa revelação, a Bíblia.

Este livro relata o suficiente acerca dos propósitos de Deus para que nossa reconciliação com o Senhor fosse possível, é nosso manual de fé e prática. Cremos que um livro tão especial foi inspirado aos homens pelo próprio Deus, por isso, seu conteúdo que foi completado em pelo menos dois mil anos, escrito por tantas mãos e pessoas diferentes, é, mesmo assim, coeso e exato em todos os seus aspectos. Há quem encontre aparentes contradições, mas, não há nenhuma que não retenha sua devida explicação.

A salvação se dá pelo reconhecimento humano de suas faltas e delitos (arrependimento), pela confissão verbal e pública na ressurreição de Cristo, que comprova a fé. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido” (Rm 10.9-11).
Quem, portanto, crê e confessa Jesus Cristo como redentor de sua vida, o reconhece como seu Deus e soberano Senhor. Pois há na Bíblia um conceito implícito de que Deus é essencialmente um ser composto de três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não há inteligência humana capaz de explicar isto, mas, é um conceito existente na Palavra de Deus e não pode ser ignorado por causa de nossas limitações. Retornamos, depois disso, à condição primeira para a qual o homem foi criado, para a glória de Deus. Vivendo uma novidade de vida, sendo transformado pela operação constante do Espírito Santo em nossas vidas.

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12,13).

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (II Co 5.17-19).

“Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pe 1.14-16).

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (Jo 14:16). “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26).

“Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim” (Jo 15.26).

A reconciliação com o Pai nos leva a outra condição de vida, não vivemos mais para satisfazermos nossos desejos carnais, mas nos tornamos novas criaturas que desejam satisfazer a vontade de seu Deus. Isso é gerado em nossos corações por Ele mesmo, que, com amor, enviou seu próprio Filho para pagar uma dívida que era nossa. Como um novo nascimento, precisamos desenvolver nossa salvação. A conversão é algo que acontece imediatamente, porém, o desenvolvimento de nossa salvação é um processo que conhecemos por santificação que, apesar de continuarmos cometendo nossos erros, somos constrangidos pelo Consolador (Espírito Santo) a mudarmos de rumo e buscarmos a perfeição.

A bênção de Deus está então em sua GRAÇA, pois, mesmo sabendo que não merecemos o favor divino, o recebemos plena e abundantemente. Leia atentamente todo o capítulo oito, da carta que o apóstolo Paulo escreveu aos romanos. É, para mim, o texto mais lindo de toda a Bíblia.

Por todas estas coisas, diferente de tantos que se dizem cristãos, temos certeza que as Escrituras nos garantem a salvação em Cristo, não por mérito, mas, por sua maravilhosa graça. Temos todos certeza de nossa salvação (leu Rm 8?). Salvação esta que nos liberta da segunda morte, da morte espiritual que significa uma eterna separação entre o homem e Deus. O inferno nada mais é que um lugar onde Deus não se fará presente, onde os desobedientes e incrédulos estarão totalmente isolados da graça e benevolência divinas, que é a única coisa que não permite que nos destruamos totalmente uns aos outros.

Não entenda a fé protestante como mera religiosidade, o que pregamos é um Deus. Jesus Cristo é o único caminho para a reconciliação do homem com este Deus. Muitos dizem: “todos os caminhos levam a Deus (Roma)”, mas, o próprio Cristo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6), portanto, não se pode alcançar a reconciliação com o divino por si mesmo, senão pela intervenção de Jesus, o próprio Deus.

O alicerce da fé cristã está fundamentado nos seguintes pilares: (1) há somente um corpo e um (2) Espírito, como também fostes chamados (3) numa só esperança da vossa vocação; (4) há um só Senhor, (5) uma só fé, (6) um só batismo; (7) um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo” (Ef 4.4-7).

Agora vos alerto, não há como se comprar o favor divino! Como você viu acima, o propósito de Deus não é torná-lo rico nesta terra, nem curar todas as enfermidades humanas e, muito menos, trazer felicidades fundamentadas em ‘ter’ coisas. “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Tm 6.10). Previna-se das raposas que mentem e usam o nome de Deus para benefício próprio, estes homens são malditos (Gl 1.8)! Paulo previne Timóteo destes falsos profetas e daqueles que buscam um deus segundo seus próprios preceitos: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (II Tm 4.3).

O mundo sem Cristo é cheio de nada, de dor, de vazio, de solidão, de aridez, de frustrações e de prazeres e alegrias passageiras. A busca por estas coisas trazem a morte. Somente em Cristo existe vida em abundância, somente ele pode saciar nossa sede e mitigar nossa fome, porque tais coisas estão num âmbito inatingível pelo homem, mas, concedido a todos que crerem na mensagem do Evangelho, de graça, pela fé.

“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17).

Isto é somente um esboço do propósito de Deus em enviar Cristo, em nos salvar da segunda morte nos reconciliando consigo mesmo. Não deixe de tirar suas dúvidas e aprofundar-se nesse oceano de amor. Para isto estou a vossa disposição.

Deus o abençoe ricamente!

Pr. Luciano Costa

1. Aqui me refiro a cristãos de variadas denominações, que são consideradas pelos protestantes não proclamadoras da total verdade baseada nas Escrituras Sagradas, portanto, hereges, por vários motivos que devem ser objeto de outro estudo.
2. Não no sentido de tomar conhecimento do mal, tanto que Eva sabia que não devia comer porque era errado, mas, no sentido de tornar-se praticante da maldade.

Apocalipse 2:11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. 20:6 Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos. 20:14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. 21:8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.