segunda-feira, março 26, 2007

MARIA MADALENA - Existiu sim, mas seu ossuário ainda não é aquele...

Sempre que arqueólogos e outros especialistas afirmam ter encontrado uma “prova final” a respeito da historicidade de Jesus Cristo, cria-se uma celeuma em torno do assunto. Por isso, referindo-me ao suposto sepulcro de Jesus, é interessante desmistificar o que algumas pessoas chamam de “alienação fanática”.
O fato de afirmarmos que o ossuário de Maria Madalena não se encontrava no suposto sepulcro não tem base em mera “achologia”, mas, em artigo escrito pelo Dr. Stephen Pfann. Abaixo você pode ler um breve resumo de suas credenciais:

Dr. Pfann received his M.A. in Bible from the Graduate Theological Union, Berkeley. He received his Doctorate of Philosophy at the Hebrew University of Jerusalem in the Department of Ancient Semitic Languages (2001). Dissertation topic: The Character of the Essene Movement in Light of the Manuscripts Written in Esoteric Script from Qumran. Program Director: Prof. Michael Stone. He and his wife Claire, residents of Jerusalem since 1982, have been married for twenty-nine years and have three children.

O Dr. Pfann é o atual presidente da University of the Holy Land, em Israel, tão próximo ao sepulcro como eu gostaria de estar. Seu artigo contém uma foto do ossuário, especificamente da parte onde se localiza o nome analisado (Mariamme e Mara) em seu artigo. O link para o artigo do Dr. Pfann é este: http://www.uhl.ac/MariammeandMartha/.
Diferentemente do que a maioria dos não-cristãos pensa, nós teólogos não rejeitamos os fatos, ao contrário, nós os incorporamos aos nossos dados de estudos para o aperfeiçoamento de nossa fé, sejam eles contraditórios ou não. Entretanto, não assimilamos qualquer dado que não seja totalmente confiável ou reconhecido por autoridades de caráter ilibado, bem diferente das pessoas que tem criado um escândalo com fundo totalmente comercial sobre o assunto. Obviamente que um não-cristão deve também deve ter a decência de confirmar sua tese, até sua última análise, antes de fazer afirmações tão contundentes.
Uma afirmação de que o sepulcro de Jesus pode ter sido encontrado não é o mesmo que dizer que ele foi realmente encontrado. Há uma grande distância entre o suposto e o definitivo. Enquanto houver provas que digam o contrário, todos têm o dever de continuar buscando informações seguras.
Algumas pessoas dizem que citei textos bíblicos para desacreditar a suposta tumba, onde foi e quais foram? Outros dizem que o texto bíblico foi alterado para satisfazer os podres poderes dos copistas passados, quais são os textos? Onde estão as provas? É engraçado, querem me acusar de fanatismo, porém, não comprovam nada do que dizem. Como o Dr. Pfann escreveu ser artigo com base em análise do ossuário de Mariamme e Mara, demonstrou estar sendo mais metodologicamente científico que tais acusadores.
Outra coisa, se Maria Madalena e Jesus tivessem se casado e também tido filhos, alguém acha que isso mudaria o conteúdo da fé cristã?

8 comentários:

Valquiria disse...

realmente o fato da sociedade saber q jesus foi casado com maria madalena nao mudaria a fe das pessoas, + pelo menos algo ficaria provado que existem coisas alteradas na biblia e que ela nao seria + 100% confiavel, pelo menos para aqueles que tivessem a mente aberta para aceitar que ele era um homem como outro "qualquer" dotado apenas de um bom conhecimeto das palavras e como isso arrastava consigo mutidoes.

Pr. Luciano disse...

Olá Valquiria, obrigado por postar seu comentário.

Bom, assim como você tem o direito de crer que a Bíblia é um livro comum, também temos nosso direito a crença de que ele é mais que isso.
Admito que há várias dificuldades a serem trabalhadas, que estão na obscuridade de uma pré-história e história de Israel, por exemplo, que infelizmente não tem fontes suficientes para comprovação, além disso, jamais deixou-se de considerar tais fatos em meios acadêmicos sérios, inclusive por pessoas e instituições não pertencentes a nenhuma ordem de fé cristã. Entretanto, não se pode simplesmente aniquilar algo que milhares de pessoas confirmam pela própria experiência.
A grande questão de Maria Madelena é: porque, em uma situação de tamanha proeminência (esposa do "grande líder"), não aparece nos escritos mais importantes sobre sua vida?
Não é questão de crença, é questão de falta de registro... Dilúvio, mar aberto pelo meio, etc, compõem não uma história propriamente dita, mas, uma história traditiva. Como esse assunto é muito comprido nem vou comentá-lo.
Abração.

Galego disse...

Pastor Luciano
1º - se estou doente e tomo um determinado remédio e ele me faz bem e cura-me, me interesso em saber a sua origem, mas continuo tomando-o por causa do seu efeito real dentro de mim. As palavras de Jesus tem sido esse santo remédio. Gosto muito da idéia de
Ele ter sido casado com Maria Madalena, sinto-o mais próximo de mim. Passei a admira-lo muito mais quando soube dessa possibilidade. 2º - Maria Madalena não aparece em determinadas circunstâncias, devido ao costume usado até hoje, aonde a mulher é colocada em segundo plano. Ela foi a primeira a ver Jesus no túmulo, para mim isto é suficiente.

Pr. Luciano disse...

Graça e paz Galego, obrigado por comentar.
A suposição de Jesus ter sido casado não interfere em nada na mensagem do evangelho, porém, não há registro algum que comprove tal afirmação. O fato da mulher ser colocada em segundo plano na cosmovisão judaica, não é explicação suficiente para que ela fosse, como disse, sendo esposa desse ser inigualável, descartada dos escritos.
A tremenda importância de Jesus elevaria Maria Madalena a um status que não poderia ser ignorado. Mas, isso também não tem muita importância levando-se em consideração o valor da vida de Jesus, sua obra e ensinamentos. Deus abençoe sua vida.

MicKassia disse...

Pr. Luciano, bom dia.

O tema Madalena ser ou não esposa de Jesus, me leva ultimamente a pesquisar tudo o q se fale sobre, para q eu possa ter uma opinião imparcial sobre isso, e nesta busca encontrei seu blog, e neste uma frase q me chamou atenção e q gostaria de fazer umas ponderações.

"A suposição de Jesus ter sido casado não interfere em nada na mensagem do evangelho, porém, não há registro algum que comprove tal afirmação." Palavras suas.

Gostaria q vc apenas refletisse de forma honesta sobre estas 4 passagens biblicas q parecem levar claramente a entender q Jesus casou. Isso não seria um registro relevante?

1º - Vc conhece como foi o encontro da esposa de Isac?
2º - Vc conhece como foi o encontro da esposa de Jacó?
3º - Vc conhece como foi o encontro da esposa de Moises?

Se vc soubesse, perceberia q Joao 4, o Encontro de Jesus com a Samaritana no poço, é a trasncrição do poema do encontro das esposas de Isac, Jacó e Moises. Todas as 4 historias são identicas, pesquise e vc verá q não estou mentindo.

Jesus repetiu a historia do encontro das esposas dos tres maiores lideres hebraicos em Joao 4.

O sinal pedido em oração (no genesis) p se encontrar a Matriarca do povo escolhido por Deus seria pedir agua a primeira mulher q aparecesse no poço:

“...fazei-me encontrar hoje o q desejo, manifestai vossa bondade, eis-me aqui de pé junto a essa fonte onde as filhas dos habitantes desta cidade virão buscar água, a donzela a quem eu disser: inclina teu cântaro, daí-me água...essa seja a que o senhor escolheu ... Com estes sinais conhecerei q manifestai a vossa bondade... ” (Gênesis 24).

Será q junto ao poço em João 4, Jesus também fazia está nesma oração?

“Jesus chegou a uma localidade da samaria... ali havia o poço de Jacó, cansado, Jesus sentou-se a beira do poço... Veio uma mulher da samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Daí-me de beber..."

Não há sentido esta passagem do evangelho ter sido colocado na mesma seguencia de eventos do encontro das esposas de Isac, jacó e Moises se não tivesse o objetivo original de contar o encontro da esposa escolhida por deus p o seu lider ungido.

Por ex. Jesus entrar em Jerusalem montado em um burro, não teria outra explicação a não ser q estava reclamando o trono de Davi, pois qdo Salomão entrou em Jerusalem montado em um burro estava tb reclamando o trono;

Jesus ao subir no monte das oliveiras, inclusive indo mais adiante no cume é claramente uma referencia a Davi q tb subiu ao cume de uma monte de oliveiras e tb foi mais adiante e recebeu concelhos;

Como é q posso interpretar quatro historias com seguencia identica de acontecimentos:
- um estrangeiro para num poço;
- há um dialogo com uma mulher;
- há oferecimento e recebimento de agua;
- como forma de compromisso são dadas as mulheres o q mais de valor existia, agua, joias, agua viva;
- todas as mulheres correm p contar o acontecido;
- o estrangeiro só entra na cidade qdo convidado;
- os ouvintes da mulher, correm de encontro ao estrangeito;
- o estrangeiro permanece como hospde por alguns dias;
- tres das historias desembocam em casamento e somente a ultima não por se tratar de Jesus?

Onde tres das historias desembocam em casamento e somente a de Jesus não?

Qquer judeu daquele tempo sabia como foi encontrado a esposa de Isac, Jacó e Moises e q assim como entrar montado num burro e subir ao cume do monte das oliveiras entre outras, era uma referencia a rituais realizados pelos patriarcas e lideres hebraicos, encontrar uma mulher no poço, pedir agua a ela, lhe oferecer presentes preciosos (o mais precioso considerado), hospedar-se na casa da familia da noiva... era referencia ao ritual de um noivado.

Com estas informações como posso interpretar de forma diferente quando de 4 historias identicas 3 desembocavam no encontro das noivas escolhidas por deus e somente uma não por se tratar de Jesus?

Pr. Luciano disse...

Bom dia Michelle, obrigado por comentar.

Vou ser breve por não ter tempo hoje, mas prometo comentar o restante do texto depois.

É forçoso dizer que Maria Madalena poderia ter sido a samaritana com quem Jesus conversou ao lado do poço. O próprio nome de Maria Madalena, como tantos outros nomes bíblicos, indica que ela não nasceu na região da Samaria, mas, em Magdala (NT - ou Magdan; AT - Migdal). Pequena aldeia situada na Galiléia.

Abraço.

Pr. Luciano

Pr. Luciano disse...

Concordo com você quando afirma que várias passagens do AT aludem a fatos no NT, entretanto, não se pressupõe que tenham as mesmas conclusões, ou efeitos. Essas alusões são mais ilustrativas, explicativas, do que fora predito no passado e que seria consumado na pessoa de Jesus Cristo, o enviado de Deus para reconciliar com ele a humanidade caída por causa do pecado (Is 59.2; Gl 5.4; Ef 2.12 – separação; Jr 2.2; Jl 2.16 – Israel como noiva de Deus; Ap 21.2, 21.9, 22.17 – a Igreja como noiva de Cristo).
Este texto (Jo 4) está repleto de ilustrações adventícias, prevendo a re-união de Deus com sua igreja definitivamente, sua noiva. Obviamente está totalmente fundamentado em relatos mais primitivos cujo enquadramento se dá em Gn 24.13-14 (cf. 24.43 e 24.28,32). O centro (Jo 4.16-18ss), alude a 2 Rs 17.24s e Os 2.18,19: origem da semi-idolatria dos samaritanos e anúncio de sua conversão. O encontro junto ao poço preludia a conclusão de um matrimônio (cf. também Gn 29.1s; Ex 2.15ss); convertendo-se, a Samaria renovará o laço matrimonial que a unia a Deus (Os 1.2). No relato joanino, Jesus desempenha o papel do servo enviado por Abraão a fim de procurar uma esposa para Isaque; a samaritana desempenha o papel de Rebeca; as pessoas de Sicar representam a família de Rebeca e João batista (cf. Jo 3.23), seria o anjo de Gn 24.7 que deveria preparar os caminhos do servo de Abraão, e, portanto, de Jesus. Neste relato, de acordo com a tradição bíblica, é portanto, Deus, e não Jesus (3.29,30) que é considerado esposo do seu povo.
Isto sim é baseado no estudo das tradições dos povos que participam da história bíblica, e, sobretudo, que compõem todo um arcabouço secular de conhecimento a ser analisado cuidadosamente e disciplinadamente. Não pode ser baseado em impressões nem em conclusões que pareçam óbvias, uma vez que, em seu contexto, nossa cosmovisão convulsiona em contraste com aquela.
Mesmo fora do contexto da discussão, veja que a samaritana tinha cinco maridos. Sob um regime tão rígido, ou ela era viúva ou tinha sua reputação manchada por “relações ilícitas”, ainda sim seu quinto marido, que nem era marido de verdade (talvez por causa da ilicitude do relacionamento), era motivo suficiente para que Jesus não a desposasse. Mas, esse nem é o caso.

Pr. Luciano disse...

E, por último, Jesus é o Rei dos reis declarado em apocalipse. Ao entrar em Jerusalém montado num burrinho, não estava somente reclamando o trono, ele estava declarando isso. O trono de Davi lhe pertence, porque é o Cristo enviado de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Jo 3.16).
Deus a abençoe!