Blog do Pr. Luciano Costa

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quarta-feira, dezembro 17, 2014

Histórias de Natal no Cristianismo Apócrifo

O nascimento de Jesus nos evangelhos apócrifos

Tony Burke • 10.12.2014
Fonte: Biblical Archaelology Society



O Presépio (presépio) é um ofício secular e uma das tradições mais conhecidas de Nápoles. Este presépio napolitano foi exibido em Roma. Foto: Howard Hudson / Wikimedia Commons.

Uma das imagens mais conhecidas da época de Natal é o Presépio – uma conhecida representação feita em uma variedade de locais públicos e privados, incluindo igrejas, parques e vitrines de lojas, exibindo o nascimento de Jesus. A cena, primeiro montado por São Francisco de Assis em 1223, é iconográfica, ou seja, seus vários elementos destinam-se principalmente a retratar uma verdade teológica – nem tanto histórica, nem mesmo literária. Harmonizam-se duas histórias muito distintas: o nascimento de Jesus em um estábulo, descrito por Lucas, visitada por pastores, com a participação de um exército angelical e a descrição de Mateus, onde os magos são guiados por uma estrela para a casa da família de Jesus em algum momento antes de seu segundo aniversário.

Para a maioria das pessoas que visitam o presépio, aquele é o retrato exato de como o nascimento de Jesus aconteceu, com animais de fazenda, pastores, anjos e magos lotando o estábulo de Belém. Mas essa combinação é apócrifa, no sentido amplo que a cena completa não é um reflexo preciso do que os textos bíblicos dizem sobre o nascimento de Jesus e no sentido estrito em que essa harmonização entre Mateus e Lucas é uma característica comum de evangelhos não-canônicos da infância cristã . Na verdade, não é retratado somente o que dizem os evangelhos, numa combinação das histórias bíblicas, há também adições das tradições sobre o nascimento de Jesus que as complementam, que circularam na antiguidade. É claro que a maioria dos cristãos ao longo da história não tinham conhecimento dessa distinção; antes da alfabetização generalizada, os cristãos contavam a história do nascimento de Jesus sem a consciência de que alguns elementos foram baseadas nas Escrituras e que outros não foram.

Os apócrifos cristãos são ricos em contos do nascimento de Jesus. A mais antiga e mais conhecida delas são as histórias encontradas no Protevangelium (ou "Proto-Evangelho") de Tiago. Composta no final do segundo século, este texto combina as narrativas da infância de Mateus e Lucas com outras tradições, incluindo histórias do próprio nascimento e educação da virgem Maria. O Protevangelium foi excepcionalmente popular, de tal forma que centenas de manuscritos do texto existem hoje em uma variedade de línguas, influenciando profundamente a liturgia cristã e os ensinamentos sobre Maria. O Protevangelium foi transmitido no Ocidente como parte do Evangelho de um Pseudo-Mateus, adicionando a ele contos de permanência da Sagrada Família no Egito e, em alguns manuscritos, histórias da infância de Jesus tiradas do Evangelho da Infância de Tomé. Outros manuscritos do Pseudo-Mateus incorporararam uma narrativa diferente do nascimento de Jesus, a partir de um evangelho perdido que os estudiosos chamam de O Livro sobre o nascimento do Salvador. No Oriente, o Protevangelium foi traduzido para o siríaco e expandido com um conjunto diferente de histórias ambientadas no Egito para formar a vida da “Santíssima Virgem Maria”, que mais tarde foi traduzido para o árabe como o Evangelho da Infância. Outra reformulação siríaca do Protevangelium está por trás do Evangelho da Infância Armênio. Os cristãos do Oriente também expandiram as tradições dos magos citados em Mateus criando a Revelação dos Magos, a Lenda dos Afroditianos, e Na Estrela (erroneamente atribuída a Eusébio de Cesaréia), cada qual à sua maneira, narra como os magos tornaram-se cientes de que a estrela anunciava o nascimento de um rei.

Este pequeno pintura tripartite, The Nativity com os profetas Isaías e Ezequiel, faz parte de um retábulo maciço conhecido como o Maestà. Composta de muitas pinturas individuais, o Maestà foi encomendado pela cidade italiana de Siena em 1308 a partir do artista Duccio di Buoninsegna. Ele contém elementos do nascimento de Jesus a partir do cristianismo apócrifo, incluindo a caverna, o boi, o burro e a parteira. Foto: Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Se os leitores desses textos apócrifos pudessem ver os presépios modernos, eles se surpreenderiam ao descobrir que o bebê Jesus está em um estábulo: Nos evangelhos da infância, o nascimento ocorre em uma caverna fora de Belém, no mesmo local dado também por Justino Mártir (em seu Diálogo com Trifon 78), que morreu por volta de 165 dC. Eles poderiam ter esperado também para ver uma parteira na cena; de fato, ela não aparece regularmente em representações ortodoxas orientais da natividade, ajudando Maria a dar banho no recém-nascido. Como o Protevangelium afirma, José deixou Maria na gruta e foi para Belém em busca de uma parteira. Mas, quando José e a parteira se aproximaram da caverna, viram uma nuvem luminosa cercá-los. A nuvem, em seguida, desapareceu na caverna e uma grande luz apareceu revelando o bebê Jesus. Cada uma das expansões posteriores do Protevangelium narra esta cena de sua própria maneira original, mas todo o esforço é mantido para mostrar que Jesus não nasceu de uma maneira natural, permitindo assim que Maria se mantivesse fisicamente virgem após seu nascimento. Então, o ser sobrenatural é Jesus que, em alguns textos, teria sido relatado como alguém que poderia ter nacido de várias maneiras. O Evangelho da Infância Armênio, por exemplo, relata que os magos o viam, cada um, de uma forma diferente: como o Filho de Deus em um trono, como o Filho do Homem cercado por exércitos, e como um homem torturado, morto e ressuscitado.

As contos apócrifos concordam com Lucas que os pastores visitaram a Sagrada Família logo após o nascimento de Jesus. Nos textos ocidentais, a família, em seguida, move-se a partir da caverna para um estábulo e coloca o bebê em uma manjedoura. Há um boi e um burro sobre seus joelhos a adorá-lo, cumprindo a profecia de Isaías 1: 3, "O boi conhece possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono" (veja Pseudo-Mateus 14 e Nascimento do Salvador 86). Embora um enfeite apócrifo, os animais se tornaram um ingrediente comum em representações posteriores da natividade e podem ser observados em presépios hoje.

Na maioria das vezes, a caverna continua a ser o palco de eventos subsequentes, incluindo o da circuncisão (de Lucas 2:21) e a visita dos Reis Magos. Os Reis Magos são normalmente representados na arte e iconografia como três reis persas ricamente adornados. No entanto, Mateus chama-os apenas de "Magos do Oriente" (Mateus 2: 1) e não diz quantos eram. Os autores dos textos apócrifos fizeram o seu melhor para esclarecer essas questões. No Apocalipse dos Reis Magos, há pelo menos doze magos, mesmo número é dado em outras tradições siriacas, e que chegaram a Belém em abril (não de Dezembro) de uma terra no Extremo Oriente chamado "Shir," talvez possa ser entendido como “China”. O Evangelho da Infância Armênio diz que havia três reis, e eles foram acompanhados por 12 comandantes, cada um com um exército de 1.000 homens, o que deixariaum estábulo muito lotado, de fato. Muitos dos textos continuam a história dos Reis Magos e dizem o que aconteceu quando eles voltaram para seu país de origem: na vida da Santíssima Virgem (=Evangelho da Infância Árabe) eles trazem de volta um dos cueiros de Jesus, que eles adoram porque tem propriedades milagrosas; no Apocalipse dos Magos eles compartilham a comida de induz uma visão (uma espécie de cogumelos mágicos?) que lhes são dadas pela estrela; e no Lenda dos Afroditianos eles retornam com uma pintura de Jesus e sua mãe. Nenhuma destas tradições apócrifas sobre os magos são destaque em presépios hoje, mas alguns deles influencioram a arte medieval e literatura.

Cristãos de todas as épocas e lugares têm prazer na história do nascimento de Jesus, tanto que eles têm ansiado para saber mais sobre o primeiro Natal do que é encontrado nos relatos bíblicos. A cena da natividade do Natal é o resultado dos esforços de escritores criativos e piedosos para preencher lacunas deixadas por Mateus e Lucas e combinam múltiplas tradições, bíblicas e não-bíblicas, em uma imagem duradoura. O presépio é uma representação intemporal de quando Deus se fez homem; ele também é uma prova de imaginação humana e da arte de contar histórias.

segunda-feira, julho 07, 2014

A Bíblia "Original" e os Manuscritos do Mar Morto

Podem os pergaminhos do Mar Morto ajudar a expor o texto da Bíbliaoriginal” dentro do Texto Massorético e da Septuaginta?

Durante séculos, os estudiosos da Bíblia examinaram dois textos antigos para elucidar a língua original da Bíblia: o Texto Massorético e a Septuaginta. O Texto Massorético é um texto tradicional hebraico finalizado por estudiosos judeus por volta de 1000 dC. A Septuaginta é uma tradução grega da Torá criado pelos judeus de Alexandria, no século III aC (Os outros livros da Bíblia hebraica foram traduzidos ao longo do século seguinte). De acordo com a tradição acerca da Septuaginta, pelo menos 70 antigos estudiosos estavam isolados para fazer uma tradução exata da Torá para o grego.

Qual é a Bíblia "original"? Como é que vamos decidir qual desses dois textos antigos é mais autoritário? Em
Searching for the ‘Original’ Bible", edição de julho/agosto 2014 da Biblical Archaeology Review, em conjunto com a Universidade Hebraica de Jerusalém e o editor-chefe da equipe de publicação dos Manuscritos do Mar Morto, Emanuel Tov, estudioso de longa data, sugere que nos voltemos para o Manuscritos do Mar Morto para nos ajudar a comparar o Texto Massorético e a Septuaginta.

Alguns dos Manuscritos do Mar Morto, na verdade, têm mais em comum com a Septuaginta grega do que o tradicional texto hebraico massorético, mostrando que os tradutores gregos utilizaram textos hebraicos que se assemelhavam aos Manuscritos do Mar Morto. Os textos dos Rolos do Mar Morto seriam tão confiáveis quanto essas outras duas fontes? Eles são o mais próximo do texto original da Bíblia?
 
“Alguns se voltam para os Manuscritos do Mar Morto, simplesmente porque eles são mais antigos: textos com 2.000 anos de idade eram menos sujeitos à corrupção dos escribas, o que implica que eles refletem uma linguagem Bíblia mais original”. Tov complementa esse raciocínio cronológico com uma abordagem lógica – e assumidamente subjetiva – quando, em sua análise, ele afirma queo texto faz mais sentido em um determinado contexto”. Tov examina uma série de discrepâncias textuais entre versões da Bíblia, em sua pesquisa pela versão original (Será que Deus terminou se trabalho no sexto ou no sétimo dia, antes de descansar de fato no sétimo? Como as nações foram divididas de acordo com o número de filhos de Deus?).

Como exemplo, Tov pergunta:Será que Ana levou a Siló um ou três touros como uma oferenda?” (1 Samuel 1:24)
  
"Quando o bebê Samuel foi desmamado e sua mãe, Ana, finalmente chegou a Siló com seu filho, ela também trouxe com ela uma oferta para o Senhor que é descrito de duas maneiras em nossas fontes textuais. De acordo com o Texto Massorético, ela trouxe 'três touros', mas de acordo com a Septuaginta e um pergaminho Qumran (4QSama 50-25 aC) trouxe um 'touro de três anos de idade'.

Acredito que Ana provavelmente ofereceu apenas um único touro (como na Septuaginta e 4QSama);  o verso seguinte apóia esta interpretação ao falor sobre o touro’. Eu acredito que o Texto Massorético foi textualmente corrompido, pois, a escrita era contínua (sem espaços entre as palavras) e no original as palavras eram literalmente prm/shlshh (literalmente: ‘touros três‘) na Septuaginta foi dividido de forma errada para pr/mshlsh (‘três anos de idade touro’)*.

Essa é a evidência de que a Septuaginta, por ser em grego, sempre dependerá de uma reconstrução em hebraico, e, conseqüentemente, o pergaminho Qumran aqui nos ajudará a decidir entre as várias opções. Aliás uma oferta de um ‘três anos de idade touro’ é mencionado em Gênesis 15:09. Isso mostra que um texto hebraico subjacente à Septuaginta existiu uma vez em que Ana trouxe apenas um touro de três anos de idade. "

Tov usa os Manuscritos do Mar Morto para elucidar a língua original da Bíblia, não só porque eles são os mais antigos manuscritos bíblicos, mas também porque eles fornecem pistas lógicas adicionais. Ele conclui: "Ao encontrar nosso caminho no labirinto de fontes textuais da Bíblia, devemos acumular lentamente experiência e intuição. Ao manobrar entre as fontes, vamos encontrar muita ajuda nos Manuscritos do Mar Morto. Mas eles devem ser utilizados criteriosamente".



quinta-feira, maio 24, 2012

Arqueólogos encontram primeira prova da existência da Belém bíblica


EFE – 22 horas atrás

Argila com a inscrição ‘Bat Lechem’ foi encontrada nas escavações do ‘Projeto Cidade de David’ (Foto: AFP)

Arqueólogos israelenses acharam em Jerusalém um selo de argila com a inscrição "Bat Lechem", que supõe a primeira evidência arqueológica da existência de Belém durante o período em que aparece descrito na Bíblia, informou nesta quarta-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Trata-se de uma espécie de esfera de argila que se usava para carimbar documentos e objetos, que foi encontrado nas polêmicas escavações do "Projeto Cidade de David", situado no povoado palestino de Silwán, no território ocupado de Jerusalém Oriental.

Datada entre os séculos VII e VIII a.C, a peça é meio milênio posterior às Cartas de Amarna, uma correspondência diplomática em língua acádia sobre tabuletas de argila entre a Administração do Egito faraônico e os grandes reinos da época e seus vassalos na zona.

O descobrimento anunciado nesta quarta remete a uma época posterior, a do Primeiro Templo Judeu (1006 - 586 a.C.), citada no Antigo Testamento como parte do reino da Judéia.

"É a primeira vez que o nome de Belém aparece fora da Bíblia em uma inscrição do período do Primeiro Templo, o que prova que Belém era uma cidade no reino da Judéia e possivelmente também em períodos anteriores", assinalou o responsável das escavações, Eli Shukron, em comunicado.

"A peça é do grupo dos 'fiscais', ou seja, uma espécie de selo administrativo que era usado para carimbar cargas de impostos que se enviavam ao sistema fiscal do reino da Judéia no final dos séculos VII e VIII a.C", acrescenta a especialista. EFE

terça-feira, janeiro 24, 2012

Pregando a Cristo

R. C. Sproul

A igreja do século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício de pregar.

À luz desses pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados no relato bíblico.

Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda, didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).

Parece que a estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos específicos de instrução catequética.

Na evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento. Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus, a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.

Se tomássemos tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma, o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus. Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida, em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo - a se arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.

Quando procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea? Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar. Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.
Por outro lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração, comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.
Portanto, a kerygma é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

A Confusão Evangélica Diante do Antigo Testamento


Luiz Sayão

A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira.

É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto do louvor e da adoração a ênfase vétero-testamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos. Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus. Em terceiro lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou vétero-testamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).

Este encontro brasileiro-judaico tem muitas facetas positivas: Retomamos uma alegria comemorativa da fé, trazemos a verdade espiritual para a realidade concreta, dificilmente teremos uma igreja anti-semita, enxergamos necessidades sociais e políticas pela força do Antigo Testamento. Todavia, também estamos andando em terreno perigoso e delicado. Algumas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão algumas sugestões:

1. Nem todo texto bíblico do Antigo Testamento pode ser visto como normativo
A descrição da vida de um servo de Deus do Antigo Testamento não é padrão para nós sempre. Quando Abraão mente em Gênesis, a descrição do fato não o torna uma norma. A poligamia de Salomão, a mentira das parteiras no Egito e o adultério de Davi não podem servir de desculpas para os nossos pecados.

2. Não podemos cantar todo e qualquer texto do Antigo Testamento
É preciso observar quem está falando no texto bíblico. Sem observarmos quem fala, tiraremos conclusões enganosas. Isso é fundamental para se entender o livro de Eclesiastes. No caso de Jó 1.9-10, por exemplo, temos registradas as palavras de Satanás. Isto é fato até no caso do Novo Testamento (veja Jo 8.48).

3. Devemos ensinar que muito da teologia do Antigo Testamento foi superada pelo Novo Testamento
Jesus deixou claro que estava trazendo uma mensagem complementar e superior em relação à antiga aliança. Se não entendermos isto, voltaremos ao legalismo farisaico tão questionado por nosso Senhor. Textos como Números 15.32-36 revelam um exemplo daquilo que não tem mais valor na prática da nova aliança. Todos os elementos cerimoniais da lei não podem mais fazer parte da vida da igreja cristã, pois apontavam para a realidade superior, que se cumpre em Cristo (Cl 2.16-18). Sábados, festas judaicas, dias sagrados, sacrifícios e outros elementos cerimoniais não fazem parte da prática cristã neo-testamentária.

4. Antes de pregar ou cantar um texto do Antigo Testamento é preciso entendê-lo
Nem sempre é fácil entender um texto do Antigo Testamento. Muitos textos precisam ser bem estudados, compreendidos em seu contexto e em sua limitação circunstancial e teológica. Veja por exemplo o potencial destruidor do mau uso de um texto como o Salmo 137.9. Se o intérprete não entender que o texto fala da justiça retributiva divina dada aos babilônios imperialistas, as crianças da igreja correrão sério perigo!

5. Devemos ensinar que vingança e guerra não são valores cristãos
Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. A justiça imprecatória não faz parte da teologia do Novo Testamento. Há vários salmos que dizem isso, mas tal realidade compreende-se no contexto do Antigo Testamento e não pode ser praticada na igreja cristã. Não podemos cantar “persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei” (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44-45). Hoje já existe até gente “amaldiçoando” outros em nome de Jesus! Teremos o surgimento de uma “violência cristã”?

6. Enfatizemos a verdade de que a adoração do Novo Testamento é superior
O Novo Testamento nos ensina que a adoração legítima independe de lugar, de monte, de cidade e de outros elementos materiais (Jo 4). Jesus insiste em afirmar que Deus procura quem “o adore em Espírito e em verdade”. A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais pouco importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.

7. Devemos ensinar que ser judeu não torna ninguém melhor do que os outros
Alguns evangélicos entendem que “ser judeu” ou “judaizado” os torna de alguma forma “espiritualmente melhor”. O rei Manassés, Anás e Caifás eram judeus! Já há quem expulse demônios em hebraico! Em Cristo, judeus e gentios são iguais perante Deus. Na verdade “não há judeu nem grego” (Gl 3.28) na nova aliança. A igreja cristã já pecou por seu anti-semitismo do passado. Será que irá pecar agora por tornar-se judaizante? Devemos amar judeus e gentios de igual modo. Além disso, podemos e devemos ser cristãos brasileiros. Não precisamos nos tornar judeus para ter um melhor “pedigree” espiritual.

Disciplinas Espirituais



D. A. Carson

Há quase duas décadas, escrevi um artigo intitulado "Quando a espiritualidade é espiritual? Reflexões Sobre Alguns Problemas de Definição". Aqui, eu gostaria de analisar um aspecto deste tema.

A estrutura mais ampla da discussão precisa ser lembrada. "Espiritual" e "espiritualidade" se tornaram palavras notoriamente indistintas. No uso comum, elas quase sempre têm conotações positivas, mas raramente o significado delas se encaixa na esfera do uso bíblico. Pessoas acham que são "espirituais" porque têm certas sensibilidades estéticas, ou porque sentem algum tipo de conexão mística com a natureza, ou porque adotam uma versão altamente personalizada de uma das muitas religiões. (Mas "religião" tende a ser uma palavra de conotações negativas, enquanto "espiritualidade" tem conotações positivas.)

No entanto, nos termos da nova aliança, a única pessoa "espiritual" é aquela que tem o Espírito Santo, derramado sobre indivíduos na regeneração. A alternativa, na terminologia de Paulo, é ser "natural" – meramente humano – e não "espiritual" (1 Co 2.14). Para o cristão cujo vocabulário e conceitos sobre este tema são moldados pelas Escrituras, somente o cristão é espiritual. E, por uma extensão óbvia, aqueles cristãos que mostram virtudes cristãs são espirituais, porque essas virtudes são fruto do Espírito. Aqueles que são meras "crianças em Cristo" (1 Co 3.1), se estão verdadeiramente em Cristo, são espirituais, porque são habitados pelo Espírito, mas sua vida pode deixar muito a desejar. Apesar disso, o Novo Testamento não designa os cristãos imaturos como não espirituais, como se a categoria "espirituais" fosse reservada apenas para os mais maduros, a elite dos eleitos. Isso é um erro muito comum da tradição de espiritualidade da Igreja Católica Romana. Nesta, a vida espiritual e as tradições espirituais estão frequentemente ligadas com fiéis que desejam ir além do que é comum. Essa vida "espiritual" é muitas vezes ligada com ascetismo e, às vezes, com misticismo, ordens de freiras e monges e uma variedade de técnicas que vão além do cristão comum.

Devido ao amplo uso das palavras da família de "espiritual", muito além do Novo Testamento, a linguagem de "disciplinas espirituais" tem se estendido, igualmente, a arenas que tendem a deixar preocupados aqueles que amam o evangelho. Em nossos dias, as disciplinas espirituais podem incluir leitura da Bíblia, meditação, adoração, doar dinheiro, jejuar, solidão, comunhão, obras de beneficência, evangelização, dar esmolas, cuidado da criação, escrever diários, obra missionária e mais. Pode incluir votos de celibato, autoflagelação e cantar mantras. No uso popular, algumas dessas supostas disciplinas espirituais são totalmente divorciadas de qualquer doutrina específica, cristã ou não. Elas são apenas uma questão de técnica. Essa é a razão por que, às vezes, as pessoas dizem: "Quanto à sua doutrina, comprometa-se, por todos os meios, com as confissões evangélicas. Mas, no que diz respeito às disciplinas espirituais, volte-se para o catolicismo ou, talvez, para o budismo". O que é universalmente admitido pela expressão "disciplina espiritual" é que essas disciplinas têm o propósito de aumentar a nossa espiritualidade.

No entanto, à luz da perspectiva cristã, não é possível alguém aumentar sua espiritualidade sem possuir o Espírito Santo e submeter-se à sua instrução e ao seu poder transformadores. As técnicas nunca são neutras. Estão sempre carregadas de pressuposições teológicas, frequentemente não reconhecidas.

Como devemos avaliar essa maneira popular de abordar as disciplinas espirituais? O que devemos pensar sobre as disciplinas espirituais e sua conexão com a espiritualidade definida pelas Escrituras? Algumas reflexões introdutórias:

(1) A busca do conhecimento direto e místico de Deus não é sancionado pelas Escrituras; é, também, perigoso em várias maneiras. Não importa se esta busca é realizada, digamos, no budismo (embora  budistas instruídos provavelmente não falem sobre "conhecimento direto e místico de Deus" – as duas últimas palavras talvez precisem ser omitidas) ou na tradição católica, à maneira de Julian de Norwich. Nenhum desses exemplos reconhece que nosso acesso ao conhecimento do Deus vivo é mediado exclusivamente por Cristo, cuja morte e ressurreição nos reconciliam com o Deus vivo. Buscar o conhecimento direto e místico de Deus é anunciar que a pessoa de Cristo e sua obra sacrificial em nosso favor não são necessárias para o conhecimento de Deus. Infelizmente, é fácil alguém deleitar-se em experiências místicas, prazerosas e desafiadoras em si mesmas, sem conhecer nada do poder regenerador de Deus, alicerçado na obra da cruz de Cristo.

(2) Devemos perguntar o que nos garante incluir algum item numa lista de disciplinas espirituais. Para os cristãos que têm algum senso da função reguladora das Escrituras, nada, certamente, pode ser reputado como uma disciplina espiritual se não é mencionado no Novo Testamento. Isso exclui não somente a autoflagelação, mas também o cuidado da criação. Esta última é,  sem dúvida, uma coisa boa que devemos fazer; é parte de nossa responsabilidade como administradores da criação de Deus. Mas é difícil pensarmos em uma base bíblica para que entendamos essa atividade como uma disciplina espiritual – ou seja, uma disciplina que aumenta a nossa espiritualidade. A Bíblia fala muito sobre oração e guardar a Palavra de Deus em nosso coração, mas diz muito pouco sobre o cuidado da criação e o cantar mantras.

(3) Algumas das coisas incluídas na lista são levemente ambíguas. Em um nível, a Bíblia não diz nada sobre escrever diários. Por outro lado, isto pode ser apenas uma designação conveniente para referir-se a autoexame cuidadoso, contrição, leitura bíblica meditativa e oração sincera. E o hábito de fazer registros em um diário para fomentar essas quatro atividades não pode ser descartado da mesma maneira como temos de rejeitar a autoflagelação.

O apóstolo declarou que o celibato é uma coisa excelente, se a pessoa tem o dom (tanto o casamento quanto o celibato são designados carismata – "dons da graça") e o celibato contribui para um ministério aprimorado (1 Co 7). Por outro lado, nada sugere que o celibato é um estado intrinsecamente mais santo; e nos termos da nova aliança nada existe que sancione o retirar-se para mosteiros de freiras ou monges celibatários que se separaram fisicamente do mundo para se tornarem mais espirituais. A meditação não é um bem intrínseco. Grande parte da meditação depende do foco da própria pessoa. O foco é um ponto escuro imaginário em uma folha de papel branco? Ou é a lei do Senhor (Sl 1.2)?

(4) Até aquelas disciplinas espirituais que todos reconheceriam como tais não devem ser mal compreendidas ou abusadas. A própria expressão é potencialmente enganadora: disciplina espiritual, como se houvesse algo intrínseco no autocontrole e na imposição da autodisciplina que qualifica alguém a ser mais espiritual. Essa suposição e essas associações mentais só podem levar à arrogância. E o que é pior: elas levam frequentemente ao hábito de julgar os outros como inferiores. Os outros podem não ser tão espirituais como eu, visto que sou tão disciplinado que tenho um excelente tempo de oração ou um ótimo esquema de leitura da Bíblia. Mas o elemento verdadeiramente transformador não é a disciplina em si mesma, e sim o valor da tarefa realizada: o valor da oração, o valor da leitura da Palavra de Deus.

(5) Não é proveitoso fazer uma lista variada de responsabilidades cristãs e rotulá-las de disciplinas espirituais. Isso parece ser o argumento que está por trás da teologia introduzida inapropriadamente, por exemplo, no cuidar da criação e no dar esmolas. Mas, pela mesma lógica, se motivado por bondade cristã, você faz massagem nas costas de uma senhora que tem pescoço rígido e ombro inflamado, este massagear as costas se torna uma disciplina espiritual. Por essa mesma lógica, uma obediência cristã é uma disciplina espiritual, ou seja, ela nos torna mais espirituais.

Usar a categoria de disciplinas espirituais desta maneira tem duas implicações infelizes. Primeira, se cada instância de obediência é uma disciplina espiritual, não há nada especial nos meios de graça, ordenados e bastante enfatizados nas Escrituras, como, por exemplo, a oração, a leitura séria e a meditação na Palavra de Deus. Segundo, essa maneira de pensar sobre as disciplinas espirituais nos induz sutilmente a pensar que o crescimento em espiritualidade é uma função de nada mais do que conformidade com as exigências de muitas regras, de muita obediência. Certamente, a maturidade cristã não é manifestada onde não há obediência. Contudo, há também grande ênfase no crescimento em amor, em confiança, em entendimento dos caminhos do Deus vivo, na obra do Espírito de encher-nos e capacitar-nos.

(6) Por essas razões, parece ser sábio restringir a designação "disciplinas espirituais" a aquelas atividades prescritas na Bíblia, que são declaradas explicitamente como meios de aumentar nossa santificação, nossa conformidade com Cristo, nossa maturação espiritual. Em João 17, quando Jesus rogou que seu Pai santificasse seus seguidores por meio da verdade, ele acrescentou: "A tua palavra é a verdade". Não é surpreendente que os crentes tenham há muito chamado de "meios de graça" coisas como o estudo da verdade do evangelho. "Meios de graça" é uma expressão agradável e menos susceptível a mal-entendidos do que "disciplinas espirituais".

Tradução: Wellington Ferreira
Copyright © D. A. Carson 2011
Copyright © Editora Fiel 2011
Traduzido do original em inglês: Spiritual Disciplines. Publicado no site The Gospel Coalition.

terça-feira, novembro 22, 2011

Vem chegando o natal


Paz, união, alegria, esperança, amor, sucesso, realizações, luz, respeito, harmonia, saúde, solidariedade, felicidade, humildade, confraternização, pureza, amizade, sabedoria, perdão, igualdade, liberdade, sinceridade, etc. Estas são palavras que sempre acompanham mensagens natalinas, recebi a lista acima em meu e-mail e a mesma veio em formato de pinheiro. Certamente que o período natalino inspira tais desejos, mas, cada vez menos relacionados com o único, exclusivo e verdadeiro motivo para a comemoração do natal.

Todos desejam, legitimamente, poder viver as dimensões que as palavras listadas acima representam, todos nos dias de celebração tentam experimentar e transmitir tais coisas no último mês do ano. São festas, presentes, campanhas de solidariedade, confraternizações, reuniões familiares, entre tantas outras atividades que se realizam em torno da palavra “natal”, sem se levar em conta seu significado.  Tudo acontece e se realiza, ou se evita e deixa de praticar, no caso de ações ou pensamentos ou hábitos não tão bons, porque é “natal”.

Mas a palavra “natal” não representa somente um apanhado de coisas boas para se obter, ou ruins para se abandonar. Não se refere a uma época em que eu me torno uma pessoa melhor, mesmo que por um curtíssimo período, praticante de boas ações. Esta palavra não me enche de esperanças, ou de uma euforia positivista de “últimos momentos desse ano de lutas”, como se as festas natalinas e de final-de-ano pudessem mudar alguma coisa em minha vida. A palavra “natal” sozinha só é boa para o comércio...

É importante saber o que a palavra “natal” significa:adj m+f (lat natale) 1 Que diz respeito ao nascimento; natalício. 2 Pátrio: Terra natal. sm 1 Dia do nascimento. 2 Dia do aniversário de nascimento de qualquer indivíduo. 3 Dia ou época em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo”. Veja, a palavra “natal” não é um mantra, não é um signo, não é uma data cujo número traz sorte. Tal palavra refere-se ao dia do nascimento de alguém, no caso das comemorações de natal de fim-de-ano em torno do mundo, esse alguém é que dá sentido à festividade! 

“8 Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. 9 E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: 11 É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.8-11).

Sim, o natal é o dia em que toda a população mundial deve celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Levemos em consideração que todas as coisas citadas no início deste texto remetem à pessoa do Filho de Deus, que revolucionou o mundo com sua mensagem e com sua vida. É por meio dele e nele que podemos obter a vida que desejamos, em toda sua amplitude, pela eternidade. É Jesus quem nos incentiva a sermos bons, a sermos perseverantes, esperançosos, lutadores, todos os dias – vencendo um dia de cada vez – sob sua luz, graça e misericórdia.

Você não pode esperar nada de uma data, ou de uma simples palavra a que tal data se refere, mas, você pode ter esperança em alguém. Você pode confiar, pode pedir, pode agradecer, pode chorar, pode sorrir, pode falar e interagir com uma pessoa, isso sim tem sentido. E o sentido da vida que ser reforça ainda mais no dia de natal é esse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16); e essa obra de salvação, para a vida eterna, começou nesse dia: “É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Jesus Cristo nos foi dado para nossa alegria, esperança e salvação. Pela sua morte e ressurreição obtemos vida plena e abundante.

O motivo de nos alegrarmos não está na data, mas no aniversariante que ao longo da história bíblica tem cumprido todas as suas promessas. Sua grande obra é um ato de amor e graça, um presente imerecido, acessível a todos: “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9). Basta crer e confessar para usufruir hoje e pela eternidade de todas as promessas de Deus aos homens, é um ato de fé e não de mérito humano: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). O que torna o homenageado ainda mais digno de honra, louvor e adoração.

Estou certo de que Jesus quer celebrar o natal contigo, lembre-se dele.

Condenados à mina de cobre

Perseguição dos primeiros cristãos em Faynan, Jordânia
Biblical Archaeology Society Staff   • 2011/11/14


O envio de prisioneiros condenados à mina de cobre em Faynan, Jordânia, foi uma forma popular de perseguição aos cristãos no início do Império Romano. Era um trabalho extremamente cansativo e em condições terríveis, era essencialmente uma sentença de morte para todos os que foram enviados aqui.

A perseguição dos primeiros cristãos, muitas vezes chama a atenção para os mártires que foram torturados, crucificados, queimados ou mesmo mortos por animais selvagens nas arenas de gladiadores do Império Romano. Mas, por vezes, tomou outra forma, como explicado pelos arqueólogos Thomas Levy e Mohammad Najjar, em seu artigo "Condenado às Minas." Damnatio ad metalla, ou condenação para as minas, significava que o condenado seria obrigado a trabalhar na mina de cobre, na região rica em cobre chamada de Faynan, na Jordânia. O trabalho era extenuante e as condições opressivas em Faynan, os escravos muitas vezes trabalhavam até a morte, tornando esta forma de perseguição dos primeiros cristãos equivalente a uma sentença de morte.

A coletar e o trabalho com o cobre foi até o final do período neolítico (7500-5700 aC), eo processo de fundição de cobre surgiu por volta de 4500-4000 aC no período Calcolítico. Regiões em Israel e sul do Mar Morto, como o Faynan, na Jordânia, são o lar de alguns dos locais mais antigos do mundo de produção de cobre.

À exceção de Israel, nenhum país tem tantos lugares bíblicos e associações como a Jordânia: Monte Nebo, de onde Moisés contemplou a Terra Prometida; Betânia além do Jordão, onde João Batista batizou Jesus; Caverna de Ló, onde Lot e suas filhas se refugiaram após a destruição de Sodoma e Gomorra, e muitos mais. Viaje conosco em nossa jornada para o passado no nosso eBook grátis: Explorando Jordão.

O distrito de Faynan provou ser uma região de cobre produtiva, como foi feito em vários pontos pelos governantes locais ao longo da história antiga. O rei bíblico  Salomão pode até ter explorado o cobre ali, para o reino de Israel, enviando trabalhadores para mina de cobre, para coleta e fundição. que seriam usados por ourives e para o comércio.

É claro que os romanos também se aproveitaram destes recursos naturais, quando ganharam o controle de Faynan. A Jordânia se tornou um destino para o trabalho forçado, composto de criminosos condenados e de escravos.

Alguns métodos diferentes foram utilizados para mina de cobre durante este período, incluindo uma técnica eixo-e-galeria, bem como uma técnica de sala e pilares. Ambos eram realizados na escuridão total o tempo todo, muitas vezes com os mineiros lutando para respirar a péssima qualidade do ar.

Os imperadores romanos pagãos não eram os únicos a condenar os cristãos a mina de cobre na Faynan, no entanto. Mesmo depois dos cristãos tornaram-se governantes do Império Romano, esta forma de perseguição dos primeiros cristãos continuou em uso para punir os hereges condenados e adeptos de seitas rivais.

terça-feira, outubro 18, 2011

AS DEZ MAIS IMPORTANTES DESCOBERTAS DA ARQUEOLOGIA BÍBLICA

1. A Biblioteca de Nag Hammadi
Códices Nag Hammadi lançam uma nova luz sobre a história cristã primitiva
Por James Brashler



Os textos de Nag Hammadi são 13 volumes encadernados em couro, ou códices, descobertos por agricultores egípcios em 1945. A datação constante nas sucatas de papiro reforçam que são datados do século IV depois de Cristo. A biblioteca contém mais de 50 textos, ou tratados, que exploram os pontos de vista de um cristão herético de uma seita conhecida como os Gnósticos, que estavam em conflito com as autoridades de cristãos ortodoxas.

2.  O templo de 'Ain Dara
O novo templo de  'Ain Dara: o paralelo mais próximo Salomão
Por John Monson

 

Do pátio cheio de escombros em primeiro plano para o santuário à distância, o antigo templo em 'Ain Dara, Síria, é o mais próximo paralelo em tamanho, data e design do Templo construído pelo rei Salomão no século X aC. Muito bem preservado, apesar danos causados por incêndios e pilhagens em massa (por muitos anos, os restos serviram como uma pedreira para construtores locais), o templo sírio nos permite visualizar o magnífico Templo de Jerusalém que foi totalmente destruído pelos babilônios em 586 aC. Construído no ponto mais alto de Tell, o templo (que data de 1300-740 aC) foi totalmente escavado na década de 1980, mas tem recebido pouca atenção desde então, apesar de sua correspondência com o Templo de Salomão.

3. A Dan Tel Stela
Stela de "David" Encontrado em Dan
Pela equipe BAR


A fragmentária Stela de David forneceu a primeira evidência extrabíblica da existência do Rei David. O rei arameu que erigiu a estela em meados dos século IX aC reivindica ter derrotado o "rei de Israel" e o "rei da Casa de David".
4. Mona Lisa da Galiléia
Mosaico deslumbra os voluntários de Séforis
Pela equipe BAR


Este mosaico é o retrato ricamente colorido de uma mulher não identificada, que foi descoberto entre as ruínas da cidade romana de Séforis na Galiléia. A inclinação de sua cabeça encantadora e de quase sorriso lhe rendeu o apelido de "Mona Lisa da Galiléia."

5. "Yahweh e sua Asherah"
A Ostraca de Kuntillet 'Ajrud
Yahweh tinha uma consorte?
Por Ze'ev Meshel


Uma inscrição, preservada em num caco inscrito (ou ostracon) a partir do site da Kuntillet "Ajrud no Sinai, faz referência a "Yahweh e sua Asherah ", sugerindo que alguns Israelitas acreditavam que seu Deus tinha uma esposa. O ostracon mostra uma figura de uma vaca grande, em pé, a esquerda e um tocador de lira assentado à direita. No centro está um desenho do deus Bes. Bes, originalmente semideus egípcio, É reconhecido por seus braços akimbo e seu cocar característico. Os números a esquerda expõe os órgãos genitais ou coroa. A inscrição acima das duas figuras da esquerda incluem as enigmáticas palavras asherah  "consorte", "santo dos santos", ou "árvore-símbolo") e Shomron ("guarda" ou "a cidade de Shomron"). Se a leitura correta é "consorte", duas das três figuras podem representar Yahweh e sua consorte.

6. A Casa de Pedro
Será que a casa onde Jesus se hospedou em Cafarnaum foi encontrada?
Por James F. Estranho e Hershel Shanks


Sob as fundações da igreja bizantina, Martyrium Octogonal, em Cafarnaum, arqueólogos descobriram uma simples casa do primeiro século dC, que pode ter sido habitada por Jesus durante seu ministério galileu.
A sinagoga de Cafarnaum fica numa área residencial da igreja octogonal, agrupado na costa noroeste do Mar da Galiléia. A sinagoga foi construída em uma plataforma, e montada por etapas nos cantos sudeste e sudoeste. Os passos levam a um pátio, ou quarto, com um chão de pedra intacta. Esta sala de auxiliares provavelmente serviu como sala sinagogal da escola. O interior da principai sala de oração foi dividido por duas fileiras paralelas de colunas formando uma nave e dois corredores.
Escavações recentes descobriram edifícios mais antigos abaixo desta sinagoga. O que se sabe, historicamente, é que o local da sinagoga de uma cidade raramente muda. Mais cedo um destes edifícios foi, muito provavelmente, a principal sinagoga de Cafarnaum onde Jesus pregou. O Sul da sinagoga é uma área residencial, com restos de casas particulares. Além disso (84 metros ao sul da sinagoga) é a igreja octogonal construída sobre a casa de São Pedro.

7. A piscina de Siloé
Onde Jesus curou o homem cego
Por Hershel Shanks


Enquanto assistia trabalhadores municipais substituir um cano de esgoto na cidade de David, ao sul do Monte do Templo de Jerusalém, o arqueólogo Eli Shukron percebeu que a o equipamento de construção tinha revelado dois passos antigos. Shukron rapidamente notificou seu colega Ronny Reich, que identificou os passos, como parte da piscina de Siloé do Templo, do Segundo Período (século I aC - século I dC), como novas escavações logo  confirmaram. Ele estava na piscina de Siloé, que de acordo com o Evangelho de João, foi onde Jesus curou o homem cego (João 9:1-11).

8. O Portão Arqueado de Ashkelon


O mais antigo portal do mundo, em arco, foi descoberto em Ashkelon, no verão de 1992. O portão foi originalmente construído durante a Idade do Bronze Médio, c. 1850 B.C.E

9. O Alicerce de Pedra de Jerusalém
Jerusalém no tempo de Davi e Salomão
Por Jane Cahill Oeste


O enorme alicerce de pedra descoberto na cidade de Jerusalém, de David, funcionava como o apoio fundamental para um edifício monumental da Idade do Ferro, talvez o palácio do rei Davi. Como a maior estrutura da Idade do Ferro em Israel, ele também está no centro corrente do debate sobre a natureza de Jerusalém inicial.

10. Torre Babilônica do Certo de Jerusalém
Encontrados em Jerusalém: Restos do Cerco Babilônio
Por Suzanne F. Cantor


Descobertos durante escavações por Nahman Avigad no trimestre da Jerusalém Judaica, na década de 1970, essa torre de 22 pés ajudou a defender a cidade contra a invasão da Babilônia em 586 B.C.E.

Fonte: Biblical Archaeology Society

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