Blog do Pr. Luciano Costa

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quarta-feira, julho 22, 2009

CRISTO NOSSA RESSURREIÇÃO, NOSSA ESPERANÇA!

“20 Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem [...]. 58 Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (I Co 15.20,58).

A ressurreição de Cristo é o fato fundante e, ao mesmo tempo, consumador da fé e da esperança cristã. Por ser as “primícias dos que dormem” desde “antes da fundação do mundo” (Ap 13.8), o Cristo ressurreto antecipou a vitória sobre a morte de todos aqueles que crêem em seu nome. Tal fato é a âncora firme de nossa esperança, significando que a esperança cristã tem uma sólida base histórica. Por isso, Paulo ensina confiadamente que a esperança cristã não traz confusão (Rm 5.5), uma vez que, em Cristo, Deus cumpre a promessa de redenção de seu povo, fortificando a fé de seus filhos sobre uma realidade não só prometida, mas, concretizada.


A esperança cristã, portanto, é essencial à fé. Pois, só pode esperar quem crê e só se pode crer em algo que se possa esperar. Se Cristo não tivesse ressuscitado, não haveria motivo para a esperança e nem para a existência da fé cristã, como afirma o apóstolo Paulo:


“12 Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? 13 E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. 14 E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (I Co 15.12-14).


Mas, como Cristo ressuscitou nossa esperança não é vã e a morte não pode condenar nossa fé. Ao contrário, nossa fé aniquila a morte e esta se torna o berço de nossa ressurreição eterna. A destinação do homem e do universo para um fim infeliz e irremediável deixa de ser uma realidade em Cristo, e pode suprir o homem de um novo sentido para sua vida. Em vez de olhar para o futuro como a consumação de sua história como ser, o homem pode expectar o ressurgimento de uma nova vida, de um novo céu e uma nova terra; pode olhar e mover-se para a frente, revolucionando e transformando o presente”. Pode, com o mesmo entusiasmo do apóstolo Paulo, afirmar:


“Tragada foi a morte na vitória. 55 Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (I Co 15.54b.55).


Cristo ressuscitou e com ele também ressuscitaremos. Então, conforme Juan B. Stam, depois da ressurreição de Cristo, impõe-se para os cristãos a lógica da esperança contra todo desespero. À luz da ressurreição tudo é possível. Inclusive quando não há base visível e nem calculável para se continuar esperando, a Igreja deve continuar marchando triunfante conforme o exemplo de Abraão:


“O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência” (Rm 4.18).


Abraão é um exemplo da contracultura cristã, alguém que foi uma verdadeira testemunha da possibilidade de paz em meio às aflições desse mundo, crendo, decididamente, nas promessas de Deus que ainda nem haviam se cumprido. Não podemos dizer que nada mais lhe restava, todos sabemos que Abraão era um homem de muitas posses e que isso poderia lhe possibilitar construir seu futuro, entretanto, na insegurança do nomadismo em que ele vivia, toda sua capacidade material poderia ser extinta em um único encontro com algum clã mais poderoso. Apesar disso, ele seguiu seu caminho cheio de fé e impulsionado por sua esperança nas promessas divinas, para compor magnificamente grande parte do conteúdo das Sagradas Escrituras, como exemplo de fidelidade.


É certo que apesar desta garantia em Cristo, nem todos são tão capazes quanto Abraão, muitos têm dificuldade de aplicar tal fato à vida cristã, à prática, e às vezes realmente acontecem coisas que nos levam a uma condição de profunda tristeza. Principalmente quando, pela gravidade da situação, a esperança é afastada de nossos corações. Foi assim para os discípulos de Jesus quando o viram ser morto na cruz, esconderam-se após o seu sepultamento e tiveram muito medo (Jo 20.19). Afinal, como pensavam outros discípulos que iam em direção a Emaús: “E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas, agora, com tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram” (Lu 24.21); a esperança de todos havia se esvaecido quando viram Jesus ser crucificado sem fazer nada para livrar-se das mãos de seus algozes. Tal atitude trouxe uma terrível sensação de desesperança aos discípulos de Cristo, tanto que aqueles que sempre andaram a seu lado esconderam-se após a crucificação, estavam com muito medo (Jo 20.19). Somente a ressurreição de Cristo poderia ter mudado a disposição interior daqueles homens, dando-lhes, por meio do Consolador, a capacidade de testemunharem a obra de Jesus Cristo por todo o mundo.


É interessante que em nosso meio, há quem prefira acreditar que não há possibilidade de sofrimento, enfermidade e dificuldades financeiras, para os que creêm em Deus, “dono do ouro e da prata, o médico de Gileade, etc”, entretanto, a vida nos ensina que ninguém está livre das mazelas deste mundo e que tal crença é absurda. O próprio Senhor afirmou isso categoricamente: “no mundo tereis aflições” (Jo 16.33). Jesus sabia que sua ausência provocaria grande tristeza no coração de seus discípulos, mesmo sendo consolados pelo Espírito Santo a presença física de Jesus lhes faria grande falta. Assim como quando um cristão perde um ente querido, é este amparado pelo Espírito de Deus e pela esperança de um reencontro num porvir glorioso, mas, a saudade que lhe aflige a alma ainda provoca muitas lágrimas. E certamente a separação pela morte parece ser a mais triste das experiências humanas. E o que Jesus ensina é que de fato muitas tristezas ainda estão por vir, entretanto, nenhuma delas será permanente ou nos causará um dano tão grave que não possa ser superado na nova ordem que Ele preparou para seus servos fiéis. Naquele dia “deles fugirá a tristeza e o gemido” (Is 35.10).


Assim como Cristo converteu água em vinho nas bodas de Caná, também converterá nossa tristeza em alegria quando nossa expectativa de total restauração se cumprir. Nesse momento “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4). Com essas palavras devemos manter aquecida em nossos corações a esperança de uma redenção que já se cumpriu em sua ressurreição.


É válido afirmar que não será por isso que deixaremos de lutar nossas batalhas, carregando a cada dia nossa cruz. Ao contrário, por sabermos que o futuro é de vitória sobre a morte, devemos fazer do presente uma oportunidade de testemunhar tal esperança, pois, existem aqueles que estão “cansados e oprimidos” por terem depositado todas as suas forças em buscas de ideais utópicos e, desiludindo-se com o fracasso, não tem mais esperança alguma.


Enfim, a ressurreição de Cristo não é só uma mensagem de esperança para a Igreja, mas, uma mensagem de esperança para ser compartilhada com a humanidade decaída e destituída de um objeto de alegre expectação. Se para estes a morte é o fim, deve-se anunciar-lhes a ressurreição de Cristo como “fonte de água viva” para uma nova realidade, em uma nova dimensão, num futuro repleto de possibilidades.